Raio-x do seu pedido de crédito: os 5 Cs que as instituições analisam
Antes de pedir um empréstimo ou financiamento, veja como o seu pedido aparece nos 5 Cs do crédito: capacidade, colateral, capital, caráter e condições. Cada ponto mostra a conta e a fonte, sem nota e sem chance de aprovação. O cálculo é feito no seu navegador e nada é enviado.
O que são os 5 Cs do crédito
É um roteiro clássico de análise de crédito: cinco perguntas que quem empresta costuma fazer antes de decidir. Cada instituição tem critérios e pesos próprios, que não são públicos; os 5 Cs só organizam o que entra na conversa.
- Capacidade: a renda comporta a parcela, somada às que a pessoa já paga?
- Colateral: há uma garantia de pagamento, como um bem ou o desconto em folha?
- Capital: quanto de recursos próprios a pessoa põe na operação, como a entrada de um financiamento?
- Caráter: qual é o histórico de pagamento de quem pede?
- Condições: como estão os juros e o mercado no momento do pedido?
Exemplo: R$ 10.000 em 24 meses, com renda de R$ 4.000
À mediana publicada do crédito pessoal (5,52% ao mês), R$ 10.000,00 em 24 parcelas iguais dariam R$ 761,80 por mês, ou 19,0% de uma renda de R$ 4.000,00, com R$ 8.283,21 de juros ao fim do prazo. É um exercício com a mediana das instituições, não uma oferta: a taxa de cada contrato depende do perfil e das condições da operação.
Como cada sinal é definido
Cada ponto recebe um de três sinais: a favor, ponto de atenção ou para saber (informativo). As regras são fixas e iguais para todo mundo:
- Capacidade: só o consignado INSS tem sinal, porque é a única das três modalidades em que a ferramenta aplica um limite, o da margem fixada em lei. A favor quando a parcela estimada cabe na margem mesmo descontando as parcelas que você já paga; ponto de atenção quando passa da margem; informativo quando cabe na margem total, mas não se as parcelas atuais forem de consignado. No consignado público a margem depende do vínculo do servidor, que a fonte não informa: o cartão mostra o percentual da renda, sem sinal, e indica a calculadora em que você informa a sua própria margem. Nas outras modalidades a ferramenta mostra o percentual da renda, sem sinal: ela não aplica nenhum limite nessas modalidades, e o critério de cada instituição não é público.
- Colateral: a favor quando a modalidade tem garantia típica (desconto no benefício, desconto em folha ou o bem financiado); ponto de atenção quando não tem e há modalidade com garantia e mediana menor no dado publicado.
- Capital: a favor quando há entrada no financiamento de veículos; a ferramenta mostra quanto de juros ela evita. Informativo nos demais casos.
- Caráter: ponto de atenção se você informa que está com o nome negativado; a favor se não está. A ferramenta não consulta cadastro nenhum.
- Condições: a favor quando a mediana atual da modalidade está abaixo da mediana dos últimos 24 meses; ponto de atenção quando está acima; informativo quando a diferença é menor que 0,05%.
Por que não há nota nem chance de aprovação
O Banco Central publica a taxa das operações contratadas, não quantos pedidos foram aceitos ou recusados, e os critérios de cada instituição não são públicos. Qualquer percentual de aprovação seria inventado. Por isso a ferramenta mostra só o que dá para calcular ou conferir: a conta da parcela, a regra da margem, as medianas publicadas e o histórico delas.
O que a lei diz sobre a margem do consignado INSS
Para aposentados e pensionistas do INSS, os descontos no benefício não podem passar de 45% do valor do benefício: 35% para empréstimos, financiamentos e arrendamentos, 5% para o cartão de crédito consignado e 5% para o cartão consignado de benefício (Lei 10.820/2003, art. 6º, § 5º, com a redação da Lei 14.601/2023). A ferramenta usa os 35% dos empréstimos. Para quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o limite dos empréstimos é de 30% (art. 6º, § 5º-A), e a ferramenta não faz essa conta. O valor exato da sua margem é o que o INSS informa no extrato de empréstimos consignados.
Compare com a taxa de mercado
Para ter uma referência, esta é a mediana das taxas das instituições com dados disponíveis no período, por modalidade. A mediana não é a taxa que você pagaria: ela depende do seu perfil e das condições da operação.
| Modalidade | Mediana (% a.m.) | Equivalente (% a.a.) | Instituições |
|---|---|---|---|
| Aquisição de outros bens | 2,39 | 32,77 | 38 |
| Cartão de crédito parcelado | 8,61 | 169,42 | 61 |
| Cartão rotativo | 15,12 | 441,76 | 64 |
| Cheque especial | 8,05 | 153,22 | 28 |
| Crédito consignado INSS | 1,81 | 24,02 | 37 |
| Crédito consignado privado | 3,33 | 48,16 | 54 |
| Crédito consignado público | 1,82 | 24,16 | 44 |
| Crédito pessoal (sem consignado) | 5,52 | 90,55 | 79 |
| Financiamento imobiliário com taxas de mercado, pós-fixado em TR | 0,92 | 11,62 | 13 |
| Financiamento imobiliário com taxas reguladas, pós-fixado em TR | 0,84 | 10,56 | 14 |
| Financiamento de veículos | 1,66 | 21,84 | 39 |
Fonte: Banco Central do Brasil — Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira (médias dos últimos 5 dias). Período de referência: 13/10/2026 a 19/10/2026 (o período varia por modalidade). Atualizado em 03/11/2026.
Para entender
- 5 Cs do crédito: o que as instituições analisam post de 02/10/2026
- Margem consignável do INSS: quanto vai para empréstimo post de 21/10/2026
- Registrato: como ver suas dívidas no Banco Central post de 27/10/2026
- Lei do superendividamento: como funciona a renegociação post de 27/10/2026
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