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Consignado para quitar dívida: como fazer a conta

Redação Creditoscópioatualizado

Consignado para quitar dívida: como fazer a conta

Para saber se um consignado serve para quitar outra dívida, a conta compara duas somas: o que ainda falta pagar na dívida atual e o total do novo contrato (parcela vezes o número de parcelas, pelo CET da proposta). Na referência do Banco Central, no período de 17/09/2026 a 23/09/2026, a mediana das instituições com dados disponíveis foi de 1,78% ao mês no consignado INSS (36 instituições), 1,79% no consignado público (43) e 3,27% no consignado privado (51), contra 6,39% no crédito pessoal não consignado (81), 8,12% no cheque especial (27) e 15,98% no rotativo do cartão (62). Taxa menor não decide sozinha: em uma dívida fictícia de R$ 1.000, 46 parcelas na mediana do consignado INSS somam mais juros (R$ 473,05) do que 12 parcelas na mediana do crédito pessoal (R$ 462,09).

A taxa do Banco Central não é oferta individual: é a referência média das operações que cada instituição contratou na janela de 5 dias úteis, e não é a taxa que você vai receber. Este texto mostra a conta e do que ela depende, sem dizer o que fazer.

As seis taxas publicadas, na mesma janela

A fonte publica, por instituição, a taxa média das operações contratadas em janelas de 5 dias úteis, ponderada pelo valor contratado. As seis modalidades abaixo são prefixadas, de pessoa física, e estão na mesma janela. A mediana pesa cada instituição igual, seja qual for o tamanho, e a composição muda de período a período: por isso o número de instituições (n) vem junto.

Modalidade (taxa ao mês)nMenorP25MedianaP75MaiorMediana ao ano (estimada)
Consignado INSS361,49%1,65%1,78%1,84%1,88%23,58%
Consignado público431,46%1,67%1,79%2,05%6,26%23,73%
Consignado privado511,62%2,65%3,27%4,09%5,61%47,13%
Crédito pessoal não consignado811,24%2,75%6,39%11,66%21,72%110,29%
Cheque especial272,18%5,89%8,12%8,27%10,31%155,20%
Rotativo do cartão620,09%12,03%15,98%19,15%25,00%492,38%
Taxas por instituição publicadas pelo Banco Central, período de 17/09/2026 a 23/09/2026, modalidades prefixadas de pessoa física. P25 e P75: 25% e 75% das instituições ficam abaixo desse valor. Linhas na ordem em que o texto trata as modalidades, não por taxa. Medidas calculadas pelo Creditoscópio sobre a taxa mensal publicada; a taxa anual da mediana é conversão por juros compostos (estimativa).

A mediana do rotativo é 8,98 vezes a do consignado INSS, e a do crédito pessoal, 3,59 vezes. Mas as distribuições se cruzam: 24 das 81 instituições publicaram, no crédito pessoal, taxa abaixo da mediana do consignado privado (3,27%), e 37 das 51 do consignado privado publicaram taxa acima do P25 do crédito pessoal (2,75%). No consignado público, a maior taxa (6,26%) fica longe do P75 (2,05%). As contagens comparam instituições diferentes, sem identificar nenhuma, e o dado não diz por que as taxas diferem.

Três avisos sobre a tabela. A taxa de 0,09% no rotativo é atípica e fica na conta, sem exclusão; o dado não explica. No cheque especial, a mediana (8,12%) e o P75 (8,27%) quase coincidem: as taxas se concentram em uma faixa estreita, e a mediana separa pouco as instituições. E a fonte não diz a esfera do servidor (federal, estadual ou municipal) no consignado público nem define quem é o tomador do consignado privado: este texto não afirma quem pode contratar cada um, e a média de uma instituição pode refletir o público que ela atende.

A conta: R$ 1.000 em cada mediana

Dívida fictícia de R$ 1.000. A primeira coluna mostra os juros de um mês em cada mediana. As outras mostram um empréstimo de R$ 1.000 em parcelas iguais (Price), em 6 e 12 vezes, nas quatro modalidades de empréstimo em parcelas. Juros compostos, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso: é estimativa, e não o CET de nenhum contrato.

Mediana ao mêsJuros de 1 mês6 parcelas: valor de cada uma6 parcelas: juros no total12 parcelas: valor de cada uma12 parcelas: juros no total
Consignado INSS, 1,78%R$ 17,80R$ 177,20R$ 63,22R$ 93,29R$ 119,44
Consignado público, 1,79%R$ 17,90R$ 177,26R$ 63,58R$ 93,34R$ 120,13
Consignado privado, 3,27%R$ 32,70R$ 186,25R$ 117,52R$ 102,09R$ 225,06
Crédito pessoal não consignado, 6,39%R$ 63,90R$ 205,86R$ 235,17R$ 121,84R$ 462,09
Cheque especial, 8,12%R$ 81,20não se aplicanão se aplicanão se aplicanão se aplica
Rotativo do cartão, 15,98%R$ 159,80não se aplicanão se aplicanão se aplicanão se aplica
Dívida fictícia de R$ 1.000, juros compostos, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso (premissas da conta). Taxas: medianas das instituições com dados, Banco Central, período de 17/09/2026 a 23/09/2026 (n na tabela anterior). Os juros no total são calculados com a parcela sem arredondar. Cálculo do Creditoscópio, com as mesmas funções de juros compostos e de parcela fixa (Price) das calculadoras do site.

Em 12 parcelas, os juros na mediana do crédito pessoal (R$ 462,09) superam em R$ 342,65 os da mediana do consignado INSS, em R$ 341,95 os do consignado público e em R$ 237,03 os do consignado privado. O rotativo e o cheque especial aparecem só com os juros de um mês porque, nesta conta, são dívidas de saldo, sem parcela fixa. No rotativo há ainda uma regra: a Resolução CMN 4.549, art. 1º, diz que o saldo da fatura não pago por inteiro “somente pode ser objeto de financiamento na modalidade de crédito rotativo até o vencimento da fatura subsequente”. O funcionamento do rotativo está no guia Juros do rotativo do cartão, e a troca por crédito pessoal sem consignado, em Empréstimo pessoal para sair do rotativo.

O prazo pesa tanto quanto a taxa

Parcela menor costuma vir com prazo maior, e o total de juros cresce com ele. A tabela mantém a taxa e muda só o número de parcelas dos mesmos R$ 1.000.

Taxa e prazoValor de cada parcelaTotal pagoJuros no total
Consignado INSS, 1,78%, 12 parcelasR$ 93,29R$ 1.119,44R$ 119,44
Consignado INSS, 1,78%, 24 parcelasR$ 51,56R$ 1.237,50R$ 237,50
Consignado INSS, 1,78%, 36 parcelasR$ 37,86R$ 1.362,97R$ 362,97
Consignado INSS, 1,78%, 48 parcelasR$ 31,16R$ 1.495,66R$ 495,66
Consignado privado, 3,27%, 12 parcelasR$ 102,09R$ 1.225,06R$ 225,06
Consignado privado, 3,27%, 24 parcelasR$ 60,78R$ 1.458,67R$ 458,67
Consignado privado, 3,27%, 36 parcelasR$ 47,67R$ 1.716,03R$ 716,03
Referência: crédito pessoal não consignado, 6,39%, 12 parcelasR$ 121,84R$ 1.462,09R$ 462,09
Empréstimo fictício de R$ 1.000 em parcelas iguais (Price), juros compostos, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso. Taxas: medianas do consignado INSS (n = 36), do consignado privado (n = 51) e do crédito pessoal não consignado (n = 81), Banco Central, período de 17/09/2026 a 23/09/2026. Total e juros calculados com a parcela sem arredondar. Cálculo do Creditoscópio.

Na mediana do consignado INSS, os juros totais passam os de 12 parcelas na mediana do crédito pessoal (R$ 462,09) a partir de 46 parcelas (R$ 473,05). Na mediana do consignado privado, isso acontece a partir de 25 parcelas (R$ 479,23). A parcela cai de R$ 121,84 para R$ 31,16 no exemplo de 48 vezes, e o total pago sobe. Qual das duas coisas importa mais depende do seu orçamento; a conta só mostra o preço de cada escolha.

Quanto o consignado custa com a taxa e o prazo da sua proposta? A calculadora de custo do crédito faz a conta de juros compostos e de parcela fixa com o valor, a taxa e o prazo que você informar, e mostra o total estimado e os juros.

Abrir a calculadora de custo do crédito

A conta com os seus números

  1. Quanto falta pagar se nada mudar. Em dívida de parcelas, é o valor da parcela vezes as que restam. Em dívida de saldo (cartão, cheque especial), é o saldo de hoje mais os juros de cada mês em que ele ficar aberto.
  2. Quanto custa quitar hoje. Peça o saldo para liquidação à instituição. O Código de Defesa do Consumidor, art. 52, § 2º, assegura “a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos”. Veja o que a lei diz sobre quitar antes.
  3. Quanto custa o consignado. Parcela vezes o número de parcelas, para um empréstimo do valor do passo 2. Peça o CET da proposta: ele reúne juros, tributos, tarifas e seguros do contrato (veja o que é o CET).
  4. Compare os totais e as parcelas. O total do passo 3 contra o do passo 1; e a parcela nova contra a soma das parcelas que ela substitui.
  5. Veja se a parcela cabe. No consignado INSS, a parcela é descontada do benefício e há limite em lei (abaixo).

Se houver mais de uma dívida, a ordem em que elas entram na conta também muda o resultado: veja qual dívida pagar primeiro.

O limite da parcela no consignado INSS

Para titulares de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social, a Lei 10.820/2003 permite autorizar o INSS a descontar do benefício o pagamento mensal de empréstimos (art. 6º) e limita os descontos e as retenções a 45% do valor do benefício, dos quais 35% destinados exclusivamente a empréstimos, financiamentos e arrendamentos mercantis (art. 6º, § 5º). Em um benefício fictício de R$ 2.000, 35% são R$ 700. É o único limite de renda que este texto cita. Para o consignado público e o privado, a fonte do Banco Central não permite dizer qual regra vale para cada tomador: na calculadora de margem do consignado, você informa a sua.

Como a taxa do consignado se distribui entre as instituições? A página do consignado INSS mostra a taxa publicada por instituição, a posição na distribuição e o histórico. Há páginas iguais para o consignado público e o consignado privado.

Ver as taxas do consignado INSS

Do que depende a troca

  • A taxa da sua proposta. As tabelas mostram referências do período; valem a taxa do contrato da dívida atual e a da proposta de consignado.
  • O prazo. Com prazo bem maior, taxa menor pode somar mais juros, como na terceira tabela.
  • O CET. Compare o CET da proposta com o custo da dívida atual; a taxa do Banco Central não serve para isso.
  • O desconto direto. No consignado INSS, a parcela sai do benefício antes de ele chegar à conta (Lei 10.820/2003, art. 6º); o valor disponível no mês diminui pelo prazo inteiro do contrato.
  • O que acontece com a dívida antiga. A conta supõe que ela é quitada e não volta a crescer. Se o limite do cartão ou do cheque especial for usado de novo, passam a existir duas dívidas.

O que esta comparação não é

  • Não é oferta individual nem a taxa que será aplicada a você.
  • Não é “a taxa do mercado”. É a mediana das instituições com dados no período; cada uma pesa igual.
  • Não é o CET. A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele.
  • Não é atual (há defasagem de publicação) nem recomendação.

Perguntas frequentes

Consignado para quitar o cartão vale a pena?

Depende da taxa da proposta, do prazo e dos custos do contrato. Na referência do Banco Central, no período de 17/09/2026 a 23/09/2026, a mediana das instituições com dados foi de 1,78% ao mês no consignado INSS, 1,79% no consignado público e 3,27% no consignado privado, contra 15,98% no rotativo do cartão. São médias de operações contratadas, não ofertas. Compare o CET do consignado com o custo da sua dívida no cartão.

Consignado com taxa menor sempre soma menos juros?

Não. O total de juros depende também do prazo. Em R$ 1.000, na conta simplificada deste texto (sem IOF e tarifas), 48 parcelas a 1,78% ao mês somam R$ 495,66 de juros; 12 parcelas a 6,39% ao mês somam R$ 462,09. Faça a conta com a sua taxa e o seu prazo.

Quanto do benefício do INSS pode ir para a parcela do consignado?

Para aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social, os descontos e as retenções não podem ultrapassar 45% do valor do benefício, dos quais 35% destinados exclusivamente a empréstimos, financiamentos e arrendamentos mercantis (Lei 10.820/2003, art. 6º, § 5º).

A taxa do Banco Central é a que vou receber no consignado?

Não. É a referência média das operações que a instituição contratou em uma janela de 5 dias úteis; não é oferta individual nem a taxa aplicada a um cliente específico.

Fontes