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Qual dívida pagar primeiro: como fazer a conta

Redação Creditoscópioatualizado

Qual dívida pagar primeiro: como fazer a conta

Para comparar dívidas, olhe a taxa de juros mensal e o saldo de cada contrato: quanto maior a taxa, mais juros o mesmo real devido gera por mês. As medianas publicadas pelo Banco Central para o período de 10/09/2026 a 16/09/2026 mostram a distância entre as modalidades: R$ 1.000 mantidos por 12 meses a 15,57% ao mês (rotativo do cartão, 64 instituições) chegam a R$ 5.677,29 na conta de juros compostos; a 5,45% ao mês (crédito pessoal não consignado, 80 instituições), a R$ 1.890,42. O texto mostra o método. Qual dívida pagar primeiro depende dos contratos de cada pessoa: faça a conta com as suas taxas.

Todos os exemplos abaixo são contas com valores redondos e fictícios. A taxa do Banco Central não é oferta individual nem a taxa do seu contrato: é a referência média das operações de cada instituição na janela de 5 dias úteis. Aqui ela serve só para dar a ordem de grandeza.

O método: taxa mensal, saldo e custo de cada contrato

A pergunta “qual dívida pagar primeiro” tem uma parte que é conta e outra que não é. A parte da conta é esta:

  1. Liste cada dívida com saldo, taxa de juros ao mês, parcela e prazo restante. A taxa está no contrato ou na fatura; se estiver ao ano, o conversor de taxas passa para ao mês.
  2. Compare a taxa mensal. Em juros compostos o saldo cresce a cada mês pela taxa. Duas dívidas do mesmo valor, uma a 15% e outra a 5% ao mês, não geram o mesmo custo mensal.
  3. Veja quantos juros cada real pago evita. Um real que reduz o saldo da dívida de taxa maior evita mais juros no mês seguinte do que um real na de taxa menor, mantido o resto igual: é só saldo vezes taxa.
  4. Confira o que a taxa mensal sozinha não mostra: tarifas, seguros e outros custos do contrato aparecem no CET (veja o que é o CET).

A parte que não é conta: o pagamento mínimo exigido por cada contrato, o que acontece com atraso e o que importa para cada pessoa. Isso o dado público não responde.

As taxas publicadas e quanto R$ 1.000 crescem em 12 meses

O Banco Central publica, por instituição, a taxa média das operações contratadas em janelas de 5 dias úteis, ponderada pelo valor contratado. A tabela traz a mediana das instituições com dados disponíveis no período de 10/09/2026 a 16/09/2026, com cada instituição pesando igual, e o número de instituições (n). A ordem da tabela é da maior para a menor mediana, só para mostrar a distância entre as taxas; não é ranking de instituições.

Modalidade (nome na fonte)Instituições com dados (n)Mediana ao mêsMediana ao ano (estimada)R$ 1.000 em 12 mesesJuros em 12 meses
Rotativo do cartão (Cartão de crédito – rotativo total – Prefixado)6415,57%467,73%R$ 5.677,29R$ 4.677,29
Parcelado do cartão (Cartão de crédito – parcelado – Prefixado)628,70%172,12%R$ 2.721,16R$ 1.721,16
Cheque especial (Cheque especial – Prefixado)308,12%155,20%R$ 2.551,95R$ 1.551,95
Crédito pessoal (Crédito pessoal não consignado – Prefixado)805,45%89,04%R$ 1.890,42R$ 890,42
Financiamento de veículos (Aquisição de veículos – Prefixado)411,78%23,58%R$ 1.235,80R$ 235,80
Taxas por instituição publicadas pelo Banco Central, período de 10/09/2026 a 16/09/2026; mediana das instituições com dados disponíveis no período. Conta do Creditoscópio: juros compostos sobre R$ 1.000 fictícios, taxa mensal mantida por 12 meses, sem pagamentos, IOF, tarifas, seguro nem atraso; estimativa, e não o CET de nenhum contrato.

Leia a tabela como aritmética da taxa, não como previsão. Ela supõe a mesma taxa por 12 meses sem nenhum pagamento, o que não descreve um contrato real; o guia dos juros do rotativo trata das regras próprias do cartão. O que a coluna mostra é o efeito de uma taxa mensal alta quando os juros se compõem: a mediana mensal do rotativo (15,57%) é 2,86 vezes a do crédito pessoal (5,45%), mas o valor final em 12 meses é 3,00 vezes maior.

Duas ressalvas do dado. Primeiro, “parcelado” aqui é a modalidade do Banco Central para o cartão, e não o parcelamento da fatura oferecido pelo emissor. Segundo, há taxas publicadas muito baixas: 0,18% e 0,83% ao mês no rotativo (2 instituições) e 0,02% no parcelado (1 instituição). São atípicas e ficam na conta, sem exclusão; o dado não explica. E as medianas são de modalidades diferentes: o dado não diz por que as taxas diferem, e elas não comparam duas dívidas de uma mesma pessoa, só mostram a escala.

A conta de um mês: R$ 500 em uma dívida ou em outra

Exemplo fictício: duas dívidas de R$ 1.000, uma na taxa mediana do rotativo (15,57% ao mês) e outra na do crédito pessoal (5,45%). Sobram R$ 500 neste mês, e a pergunta é em qual dívida a conta mostra menos juros no mês seguinte. A comparação é de um mês só, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso, e ignora os pagamentos mínimos de cada contrato.

Os R$ 500 vão para…Saldo do rotativo (15,57%)Saldo do crédito pessoal (5,45%)Juros do mês seguinte (soma)
a dívida de taxa maior (rotativo)R$ 500R$ 1.000R$ 132,35
a dívida de taxa menor (crédito pessoal)R$ 1.000R$ 500R$ 182,95
Dívidas fictícias de R$ 1.000 cada; taxas: medianas do rotativo (n = 64) e do crédito pessoal (n = 80), Banco Central, período de 10/09/2026 a 16/09/2026. Juros de um mês sobre o saldo restante; cálculo do Creditoscópio, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso.

A diferença é de R$ 50,60 no primeiro mês (R$ 182,95 menos R$ 132,35), a favor de abater o saldo de taxa maior. Esse é o raciocínio por trás de comparar a taxa mensal. Com as medianas do cheque especial (8,12%) e do crédito pessoal (5,45%), a mesma conta dá R$ 95,10 contra R$ 108,45, diferença de R$ 13,35: quanto mais próximas as taxas, menor a diferença. A conta vale para as taxas informadas e para um mês; não é regra, porque cada contrato traz condições que a taxa mensal não mostra.

Quanto tempo leva para quitar com um pagamento fixo

Outra conta útil é o prazo. Se um saldo de R$ 1.000 recebe R$ 200 por mês e a taxa se mantém, o tempo para zerar muda com a taxa. A tabela usa as mesmas medianas, em juros compostos; o último pagamento é menor que R$ 200.

Taxa mediana ao mêsMeses para quitar R$ 1.000 pagando R$ 200 por mês
Financiamento de veículos, 1,78%5,3 (6 pagamentos)
Crédito pessoal, 5,45%6,0 (6 pagamentos)
Cheque especial, 8,12%6,7 (7 pagamentos)
Parcelado do cartão, 8,70%6,8 (7 pagamentos)
Rotativo do cartão, 15,57%10,4 (11 pagamentos)
Dívida fictícia de R$ 1.000, pagamento fixo de R$ 200 por mês, taxa mensal mantida. Taxas: medianas do Banco Central, período de 10/09/2026 a 16/09/2026 (n = 41, 80, 30, 62 e 64, na ordem da tabela). Juros compostos, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso; cálculo do Creditoscópio.

O mesmo pagamento de R$ 200 leva a 6 pagamentos no crédito pessoal e a 11 no rotativo: 5 a mais, por causa da taxa. E se os juros do mês forem maiores que o pagamento, a dívida não diminui; a calculadora abaixo avisa quando isso acontece com os seus números.

Em quantos meses uma dívida acaba com o que você consegue pagar por mês? A calculadora de tempo para quitar faz a conta com o saldo, a taxa mensal e o pagamento que você informar, e mostra o prazo e o total de juros. Repita com cada dívida e compare.

Abrir a calculadora de tempo para quitar

O que a conta da taxa não mostra

  • O CET do contrato. A taxa mensal sozinha não mostra o custo total; peça o CET de cada dívida e compare o que é comparável.
  • Pagamento mínimo e prazo. Cada contrato tem a sua obrigação mensal, e a conta acima ignora o atraso. Para o cartão, veja o que acontece quando só se paga o mínimo.
  • Condições de quitar antes. Confira no contrato como funciona a antecipação antes de contar com um desconto.
  • A situação de cada pessoa. Renda, garantias envolvidas e prioridades próprias estão fora de qualquer tabela pública.

Para o custo total de um empréstimo com a taxa e o prazo de uma proposta, há a calculadora de custo do crédito. Para ver como a taxa de cada modalidade se distribui entre as instituições, as páginas do rotativo, do cheque especial e do crédito pessoal mostram o dado por instituição.

O que esta conta não é

  • Não é oferta individual nem a taxa que será aplicada a você: a taxa do Banco Central é a referência média das operações da instituição na janela de 5 dias úteis.
  • Não é “a taxa do mercado”. É a mediana das instituições com dados no período; cada uma pesa igual.
  • Não é o CET. A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele.
  • Não é atual (há defasagem de publicação) nem recomendação. O método ajuda a comparar; a decisão é de quem tem as dívidas.

Perguntas frequentes

Como decidir qual dívida pagar primeiro?

O método é comparar a taxa de juros mensal, o saldo e o CET de cada contrato, e fazer a conta de quanto cada pagamento reduz os juros do mês seguinte. Nas medianas do Banco Central de 10/09/2026 a 16/09/2026, R$ 500 abatidos de uma dívida a 15,57% ao mês geram R$ 50,60 a menos de juros no mês seguinte do que os mesmos R$ 500 abatidos de outra a 5,45%. A decisão depende dos contratos de cada pessoa.

A dívida de maior taxa é sempre a que deve ser paga primeiro?

A conta de juros do mês seguinte favorece abater o saldo de taxa maior, mas ela não vê o CET, as condições de cada contrato nem a situação de quem deve. Por isso o texto não dá regra: mostra como fazer a conta com as suas taxas.

Onde acho a taxa de juros da minha dívida?

No contrato, na proposta ou na fatura do cartão. Se vier só ao ano, o conversor de taxas do Creditoscópio faz a conversão para ao mês por juros compostos. A taxa do Banco Central não substitui a do seu contrato.

Quanto cresce uma dívida de R$ 1.000 em 12 meses?

Depende da taxa. Em juros compostos, sem pagamentos, IOF, tarifas nem atraso, R$ 1.000 viram R$ 1.235,80 a 1,78% ao mês (mediana do financiamento de veículos) e R$ 5.677,29 a 15,57% ao mês (mediana do rotativo), no período de 10/09/2026 a 16/09/2026. É aritmética da taxa, não previsão para um contrato.

Fontes