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Comparar taxa de juros: como testar a sua proposta

Redação Creditoscópio

Comparar taxa de juros: como testar a sua proposta

Chegou uma proposta de crédito e bateu a dúvida: essa taxa está alta? Para comparar a taxa de juros, pegue na proposta a taxa de juros ao mês (o percentual de juros de cada mês), e não o CET, o custo efetivo total, que soma aos juros tarifas, tributos e seguros. Depois escolha o mesmo tipo de crédito e veja onde a taxa cai entre as instituições, segundo dados oficiais do Banco Central. Um exemplo, que este guia usa do começo ao fim por ser um crédito em parcelas com proposta escrita: no financiamento de veículos, de 08/10/2026 a 15/10/2026, a mediana das 37 instituições com dados foi de 1,76% ao mês. A mediana é a taxa do meio: metade das instituições publicou menos, metade publicou mais.

A ferramenta Compare a sua taxa faz essa conta por você, no seu navegador, sem enviar nada. Ela não dá veredito: diz quanto a sua taxa está acima ou abaixo da mediana, em que posição fica entre as instituições e quanto isso muda em reais. Este guia mostra o caminho, passo a passo, com uma proposta inventada como exemplo.

Antes de começar: o que separar da proposta

Deixe a proposta aberta do lado e procure quatro coisas:

  • A taxa de juros, ao mês ou ao ano. É o número que vai na ferramenta.
  • O CET (custo efetivo total). Não vai na ferramenta, mas serve depois, para comparar uma proposta com outra.
  • O valor e o prazo, em meses. Servem para a conta em reais.
  • O tipo de crédito: financiamento de veículo, empréstimo pessoal, consignado, cheque especial, cartão.

Esses números têm de estar na oferta. O Código de Defesa do Consumidor manda quem oferece o crédito informar, no momento da oferta, o custo efetivo total e a taxa efetiva mensal de juros, entre outros itens (art. 54-B, incisos I e II). E a Resolução CMN 4.881/2020 obriga a instituição a informar o CET e apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação (art. 7º).

Passo 1: use a taxa de juros, não o CET

A proposta costuma ter duas taxas, e é fácil pegar a errada. O CET junta tudo o que você vai pagar: pela Resolução CMN 4.881/2020, art. 3º, entram amortizações, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas à operação. Por isso ele fica acima da taxa de juros sempre que esses custos existem. E vem em taxa ao ano (art. 4º, parágrafo único, inciso I).

A referência do Banco Central não é o CET de contrato nenhum. A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele.

Na ferramenta, o campo “Esse número é” pergunta exatamente isso. Se você marcar “o CET” ou “não sei”, ela não compara e explica por quê. Não é defeito: é para evitar uma conta que daria um número sem sentido.

Ao mês ou ao ano, tanto faz, desde que você marque certo no campo “A taxa é”. A ferramenta converte por juros compostos: 26,82% ao ano equivalem a 2,00% ao mês. Dividir por 12 daria 2,24%, um erro que muda a comparação. A explicação está em por que a taxa ao ano não é a taxa ao mês vezes 12.

Passo 2: escolha a modalidade e, se quiser, a instituição

Modalidade é o tipo de crédito, do jeito que o Banco Central separa nos dados. No período de 08/10/2026 a 15/10/2026, o seletor da ferramenta tinha 9 modalidades, todas publicadas em janelas de cinco dias úteis e com taxa pré-fixada (a taxa combinada no começo e que não muda com um índice). As 2 de financiamento imobiliário ficam de fora: o Banco Central publica nelas uma média mensal, e a taxa é pós-fixada em TR (Taxa Referencial, um índice que muda ao longo do contrato).

Escolha a modalidade do seu crédito: financiamento de carro com financiamento de veículos, empréstimo que não é descontado em folha com crédito pessoal (sem consignado), e assim por diante. Comparar com outra modalidade até dá um número, mas ele não diz nada: as distribuições são muito diferentes entre si.

O campo da instituição é opcional. Se você escolher a que fez a proposta, o resultado mostra também a referência publicada para ela, ou seja, a taxa média das operações dela no período. A lista vem em ordem alfabética e muda com a modalidade: traz o nome da marca quando a ligação com a empresa da fonte foi verificada, ou o nome como aparece na fonte do Banco Central. Um mesmo grupo pode aparecer com empresas diferentes conforme a modalidade.

Um atalho: se você estiver na página de uma instituição numa modalidade, em instituições, o link “Compare a sua taxa com esta referência” já abre a ferramenta com as duas escolhas feitas. Por fim, informe o valor e o prazo, só para a conta em reais.

Passo 3: leia o resultado (exemplo com dados oficiais)

Agora o exemplo do financiamento de veículos, passo a passo. Nele a ferramenta faz a conta em reais pela tabela Price (parcelas iguais). Imagine uma proposta de R$ 40.000 em 48 meses, com taxa de juros de 2,00% ao mês (26,82% ao ano). Os números da proposta são inventados; a distribuição é a publicada pelo Banco Central para 08/10/2026 a 15/10/2026.

O resultado diz três coisas. Primeiro, a diferença: 2,00% está 13,6% acima da mediana de 1,76% ao mês. Segundo, a posição: a taxa fica acima da referência de 68% das instituições, porque, das 37 com dados, 25 publicaram taxa menor que 2,00%. Terceiro, a faixa: ela cai entre o 1º e o 3º quartil, de 1,42% a 2,04% ao mês. O 1º quartil é a taxa abaixo da qual fica um quarto das instituições; o 3º, a taxa abaixo da qual ficam três quartos. Entre os dois está a metade do meio.

ItemValor
Taxa informada (fictícia)2,00% ao mês · 26,82% ao ano
Mediana das instituições com dados1,76% ao mês
1º e 3º quartis1,42% a 2,04% ao mês
Posição da taxa informadaacima da referência de 68% das instituições
Instituições com dado37
Financiamento de veículos (Aquisição de veículos, prefixado), referência média publicada pelo Banco Central, período de 08/10/2026 a 15/10/2026, 37 instituições com dados. Taxa da proposta inventada. Posição pela regra da metodologia do Creditoscópio, a mesma da ferramenta.

Logo abaixo, a ferramenta põe a conta em reais: o mesmo valor e o mesmo prazo, com a sua taxa e com a mediana. Veja a conta:

Taxa informada (2,00%)Mediana (1,76%)
Parcela estimadaR$ 1.304,07R$ 1.241,21
Total pagoR$ 62.595,52R$ 59.578,13
Juros estimadosR$ 22.595,52R$ 19.578,13
R$ 40.000 em 48 parcelas iguais (tabela Price), juros compostos, sem IOF, tarifas, seguros nem atraso. Estimativa, não CET. Mediana do financiamento de veículos publicada pelo Banco Central para 08/10/2026 a 15/10/2026.

Com o mesmo valor e prazo, a diferença no total pago é de R$ 3.017,39. A coluna da mediana não é uma oferta que você vá receber: é só a mesma conta feita com a taxa do meio, para dar escala à diferença. No rotativo do cartão (a parte da fatura que não foi paga e vira dívida) e no cheque especial, a ferramenta mostra outra conta, o saldo que cresce sem nenhum pagamento, porque essas dívidas não têm parcelas fixas.

O que a posição diz (e o que ela não diz)

A posição diz onde a sua taxa cai entre as médias das instituições, naquele período. Ela não diz se a proposta serve para você. Cada referência é a média das operações de uma instituição em cinco dias úteis, ponderada pelo valor contratado, com clientes, prazos e garantias variados. Uma taxa acima ou abaixo dela pode refletir entrada, prazo, garantia ou perfil, e o dado não diz por quê.

A taxa do Banco Central também não é oferta individual: a taxa que vale para você é a que está na sua proposta ou no seu contrato. E a mediana pesa cada instituição igual, a grande e a pequena, com um conjunto que muda de um período para outro. Por isso o número de instituições vem sempre junto. A diferença entre essa mediana e a taxa média que o Banco Central divulga para o mercado está em taxa média do Banco Central: o que ela mede.

Em algumas modalidades a posição separa pouco. No cheque especial, de 08/10/2026 a 15/10/2026, a metade de cima das 29 instituições com dados ficou entre 8,08% e 8,63% ao mês: muitas taxas muito próximas, e uma pequena diferença na sua taxa muda bastante a posição. O dado não diz por que as taxas se concentram. A regra de juros do cheque especial e o que o dado publicado mostra sobre ela estão em limite de juros do cheque especial.

Para refazer a conta à mão, com a distribuição completa, veja como comparar a taxa do seu banco com os dados do BC. A regra de cálculo da posição está na metodologia.

Quando a ferramenta não compara

  • O número é o CET, ou você não sabe. A comparação não é feita, e a ferramenta pede a linha “taxa de juros” da proposta.
  • A modalidade tem menos de 10 instituições com dado. Aí a posição e os quartis não são calculados; fica só a mediana.
  • A instituição escolhida não tem referência no período. Sem dado não há comparação com ela; a ausência nunca vira zero.
  • A taxa é pós-fixada. A ferramenta só compara taxa pré-fixada, ao mês ou ao ano. Por isso o financiamento imobiliário em TR não está no seletor.

Depois de comparar: o total pago e o CET entre propostas

A posição é um primeiro olhar. Na hora de escolher entre duas propostas, o que pesa no bolso é quanto você paga no fim. Três contas ajudam:

Nenhuma dessas contas decide por você. Elas põem os números na mesma régua, para que a escolha seja feita com a sua taxa, o seu prazo e o que cabe no seu orçamento.

Tem uma proposta na mão? Informe a taxa de juros, a modalidade e, se quiser, a instituição: a ferramenta mostra a diferença para a mediana, a posição entre as instituições e o efeito em reais, sem veredito.

Compare a sua taxa com a referência do Banco Central

Perguntas frequentes

Como comparar taxa de juros de financiamento de veículos?

Use a taxa de juros ao mês da proposta, pré-fixada, e escolha “Financiamento de veículos” na ferramenta. De 08/10/2026 a 15/10/2026, segundo dados oficiais do Banco Central, a mediana das 37 instituições com dados foi de 1,76% ao mês, com a metade do meio entre 1,42% e 2,04%. A taxa de cada instituição está na página do financiamento de veículos, e o que o número significa, em juros do financiamento de veículo: o que o BC publica.

Como comparar taxa de juros de empréstimo?

No empréstimo pessoal que não é consignado, escolha “Crédito pessoal (sem consignado)”. Ali as taxas são muito espalhadas: de 08/10/2026 a 15/10/2026, as 78 instituições com dados foram de 1,17% a 21,39% ao mês, com mediana de 5,92% e metade do meio entre 2,73% e 11,87%. Nesse caso a posição informa mais que a diferença para a mediana. A lista completa está na página do crédito pessoal, e os passos para comparar duas propostas, em comparar empréstimo pessoal: o que olhar nas propostas.

Posso comparar o CET com a taxa do Banco Central?

Não. O CET reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação (Resolução CMN 4.881/2020, art. 3º), e a referência do Banco Central não é o CET de nenhum contrato. Por isso a ferramenta só compara a taxa de juros. O CET serve para comparar uma proposta com outra; veja CET no glossário.

Por que a ferramenta não mostra a posição em todas as modalidades?

Porque a posição e os quartis só são calculados com 10 ou mais instituições com dado: com menos, o número seria frágil. De 08/10/2026 a 15/10/2026, as 9 modalidades do seletor tinham de 29 a 78 instituições, então todas mostravam a posição. O financiamento imobiliário nem entra no seletor: a média é mensal e a taxa é pós-fixada em TR.

A taxa do Banco Central é a que eu vou conseguir?

Não. É a referência média das operações que cada instituição contratou numa janela de cinco dias úteis, com clientes, prazos e garantias variados. No exemplo deste guia, a mediana de 1,76% ao mês no financiamento de veículos (37 instituições, de 08/10/2026 a 15/10/2026, segundo dados do BC) é a taxa do meio entre essas médias, não uma oferta. A taxa que vale para você é a da sua proposta ou do seu contrato. O que a referência publicada mede está no glossário.

O que fazer depois de comparar a taxa?

Olhe o total pago com o mesmo valor e prazo e compare o CET de uma proposta com o de outra. A calculadora de juros compostos faz a conta do total com a sua taxa, e a calculadora de troca de dívida mostra quanto muda se a proposta for para trocar uma dívida que você já tem.

Fontes