Esticar o prazo deixa a parcela menor, mas faz os juros crescerem bem mais rápido do que a parcela cai. Num empréstimo fictício de R$ 10.000 a 5,40% ao mês (a mediana das instituições com dados disponíveis no crédito pessoal, Banco Central, período de 23/09/2026 a 29/09/2026, 80 instituições), passar de 24 para 48 meses baixa a parcela de R$ 753,16 para R$ 587,02 (22% a menos) e leva os juros de R$ 8.075,95 para R$ 18.177,08 (125% a mais). A conta é do Creditoscópio, em tabela Price, sem IOF, tarifas nem seguro.
Se você está olhando uma simulação e a parcela de 24 meses não cabe no mês, a vontade de escolher 48 ou 60 é natural. Não há nada de errado em querer uma parcela que caiba: é ela que evita o atraso. Só ajuda saber, antes de assinar, quanto essa folga custa no total. É isso que este texto mostra, com a conta aberta.
A conta: R$ 10.000 em 12, 24, 36, 48 e 60 meses
O exemplo usa a tabela Price, o sistema de parcelas iguais do começo ao fim, que é o mesmo da calculadora do custo do crédito. A taxa é sempre a mesma, 5,40% ao mês (87,97% ao ano). Só o prazo muda.
| Prazo | Parcela | Total pago | Juros no total | Juros em relação aos R$ 10.000 |
|---|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 1.153,85 | R$ 13.846,19 | R$ 3.846,19 | 38% |
| 24 meses | R$ 753,16 | R$ 18.075,95 | R$ 8.075,95 | 81% |
| 36 meses | R$ 635,72 | R$ 22.885,93 | R$ 12.885,93 | 129% |
| 48 meses | R$ 587,02 | R$ 28.177,08 | R$ 18.177,08 | 182% |
| 60 meses | R$ 564,04 | R$ 33.842,19 | R$ 23.842,19 | 238% |
Veja a conta de ponta a ponta: de 12 para 60 meses, a parcela cai 51%, quase pela metade. Os juros, no mesmo caminho, ficam 6,2 vezes maiores. Em 60 meses, você devolveria R$ 33.842,19 pelos R$ 10.000 que pegou.
Cada 12 meses a mais: a parcela cai cada vez menos
A tabela esconde um detalhe que pesa na decisão. Cada ano a mais de prazo alivia a parcela menos que o ano anterior, e acrescenta mais juros que o ano anterior:
- De 12 para 24 meses: a parcela cai R$ 400,69 e os juros sobem R$ 4.229,76.
- De 24 para 36 meses: a parcela cai R$ 117,44 e os juros sobem R$ 4.809,98.
- De 36 para 48 meses: a parcela cai R$ 48,70 e os juros sobem R$ 5.291,15.
- De 48 para 60 meses: a parcela cai R$ 22,98 e os juros sobem R$ 5.665,11.
Ou seja: nesse exemplo, o último ano de prazo deixa a parcela só R$ 22,98 mais leve e custa R$ 5.665,11 a mais no total. O primeiro ano de prazo extra dava um alívio de R$ 400,69. Se a sua dúvida é entre dois prazos longos, vale olhar essa diferença de perto na sua simulação.
Por que a parcela quase para de cair
Toda parcela tem duas partes: os juros do mês e a amortização, que é a parte que de fato abate a dívida. No primeiro mês, os juros são 5,40% de R$ 10.000, ou R$ 540,00. Esse valor é um piso: com a taxa fixa em 5,40% ao mês, nenhum prazo, por mais longo, deixa a parcela abaixo de R$ 540,00, porque abaixo disso ela nem cobriria os juros do primeiro mês.
Em 60 meses, a parcela de R$ 564,04 fica só R$ 24,04 acima desse piso. Na prática, da primeira parcela, R$ 540,00 vão para os juros e R$ 24,04 abatem a dívida. Como o saldo cai devagar, os juros dos meses seguintes continuam altos, e é daí que vêm os R$ 23.842,19 de juros no total.
Quanto maior a taxa, mais cedo a parcela encosta no piso, e menos o prazo extra ajuda. É o efeito dos juros compostos, os juros que incidem sobre o saldo que ainda não foi pago.
Com outras taxas, o padrão se repete
O crédito pessoal tem taxas muito diferentes entre as instituições. No mesmo período de 23/09/2026 a 29/09/2026, as taxas publicadas foram de 1,32% a 21,72% ao mês. O primeiro quartil foi 2,73% e o terceiro, 11,34%: metade das 80 instituições com dados ficou entre esses dois valores. Por isso a mediana sozinha diz pouco sobre o seu caso.
A tabela repete a troca de 24 por 48 meses nessas três taxas, sempre com os mesmos R$ 10.000:
| Taxa do exemplo | Parcela em 24 meses | Parcela em 48 meses | A parcela cai | Juros em 24 meses | Juros em 48 meses | Os juros sobem |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2,73% ao mês (primeiro quartil) | R$ 573,43 | R$ 376,29 | R$ 197,14 (34%) | R$ 3.762,40 | R$ 8.061,83 | R$ 4.299,43 (114%) |
| 5,40% ao mês (mediana) | R$ 753,16 | R$ 587,02 | R$ 166,14 (22%) | R$ 8.075,95 | R$ 18.177,08 | R$ 10.101,13 (125%) |
| 11,34% ao mês (terceiro quartil) | R$ 1.227,17 | R$ 1.140,57 | R$ 86,60 (7%) | R$ 19.452,08 | R$ 44.747,58 | R$ 25.295,50 (130%) |
Nas três taxas, dobrar o prazo mais que dobra os juros. O que muda é o alívio na parcela: a 2,73% ao mês ela cai 34%; a 11,34% ao mês, só 7%, porque já está perto do piso de R$ 1.134,00 (os juros do primeiro mês nessa taxa). Quanto mais alta a taxa, menos o prazo resolve a parcela e mais ele pesa no total.
Quanto custa o prazo no seu empréstimo? Informe valor, taxa e prazo e escolha parcelas fixas: a calculadora mostra a parcela, o total pago e os juros. Troque só o prazo e compare. O cálculo é feito no seu navegador.
O que a conta não mostra
Esta conta isola um efeito só: o do prazo, com a taxa parada. Num contrato de verdade, outras coisas entram:
- A taxa pode mudar com o prazo. A taxa oferecida para 24 meses pode não ser a mesma de 48. Por isso, compare as simulações pelo custo efetivo total, o CET, que reúne numa taxa só os custos de cada proposta. O que ele inclui está em O que é CET.
- Encargos fora da conta. IOF, tarifas e seguro não entram nos números acima.
- O sistema de amortização. Tudo aqui é tabela Price. Com o SAC, em que a parcela começa maior e vai caindo, os juros totais são outros; a comparação dos dois sistemas está em Tabela Price ou SAC, e a ferramenta Price ou SAC faz a conta com os seus números.
- Pagar antes do fim. A tabela supõe que todas as parcelas são pagas no prazo, sem antecipação. O que a lei diz sobre os juros quando se quita antes está em Quitar empréstimo antes.
Nada disso faz o prazo longo ser um erro. Às vezes a parcela menor é o que cabe, e isso conta. A ideia é decidir sabendo o preço da folga: faça a conta com a sua taxa e os prazos que você recebeu.
De onde vem a taxa de 5,40%
A taxa do exemplo é a mediana das instituições com dados disponíveis no crédito pessoal (sem consignado), no período de 23/09/2026 a 29/09/2026: 5,40% ao mês (87,97% ao ano), com 80 instituições. A mediana é o valor do meio: metade das instituições ficou acima e metade abaixo. Ela pesa cada instituição igual, e a composição muda de um período para outro.
A taxa publicada pelo Banco Central é uma referência média das operações contratadas na janela de 5 dias úteis; não é oferta individual. A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele. A distribuição completa está na página do crédito pessoal, e o método, na metodologia.
Perguntas frequentes
Prazo maior aumenta os juros do empréstimo?
Sim, com a mesma taxa. Em R$ 10.000 a 5,40% ao mês, os juros vão de R$ 8.075,95 em 24 meses para R$ 18.177,08 em 48 meses. A parcela cai, mas você paga juros por mais tempo sobre um saldo que diminui devagar.
Dobrar o prazo reduz a parcela pela metade?
Não. No exemplo, ir de 24 para 48 meses reduz a parcela em 22%, de R$ 753,16 para R$ 587,02. Com a taxa fixa, a parcela nunca fica abaixo dos juros do primeiro mês (R$ 540,00 no exemplo), e por isso cai cada vez menos.
Parcela menor ou menos juros: como decidir?
Depende do seu orçamento. Uma parcela que cabe evita atraso, e atraso tem custo próprio. O que ajuda é pôr lado a lado, para cada prazo oferecido, a parcela, o total pago e o CET da simulação. A calculadora do custo do crédito faz a parte dos juros.
Por que a parcela quase não muda entre 48 e 60 meses?
Porque, com taxa alta, quase toda a parcela já vai para os juros. A 5,40% ao mês, a parcela de 60 meses é R$ 564,04, e R$ 540,00 dela são juros do primeiro mês. Os 12 meses extras baixam a parcela em R$ 22,98 e somam R$ 5.665,11 de juros.
A taxa de 5,40% é a do meu empréstimo?
Não. É a mediana das instituições com dados publicados pelo Banco Central no período de 23/09/2026 a 29/09/2026, usada aqui só como exemplo. A taxa do seu contrato depende da instituição, do prazo e do seu caso; ela aparece na simulação, junto com o CET.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira (médias dos últimos 5 dias): crédito pessoal (sem consignado), período de 23/09/2026 a 29/09/2026; mediana, quartis, mínimo e máximo das instituições com dados disponíveis (n = 80) calculados pelo Creditoscópio.
- Banco Central do Brasil, Taxas de juros de operações de crédito (documentação do conjunto de dados).
- Creditoscópio, Metodologia: unidades, mediana e cálculos financeiros.
- Cálculos: função de parcela da tabela Price do Creditoscópio (a mesma da calculadora do custo do crédito), com taxa fixa, juros compostos, parcelas mensais, sem carência, IOF, tarifas, seguro ou atraso.
