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Financiamento de carro concessionária ou banco: a conta

Redação Creditoscópio

Financiamento de carro concessionária ou banco: a conta

Financiar o carro na concessionária ou no banco? Quem decide o custo não é o lugar, é a proposta. Compare as duas pelo CET (o custo efetivo total, que junta juros, tarifas, tributos e seguros) e pelo total a pagar, com o mesmo valor e o mesmo prazo; a instituição tem de informar o CET antes da contratação (Resolução CMN 4.881/2020, art. 7º). Como referência, segundo dados oficiais do Banco Central, a mediana (o valor do meio da lista: metade das instituições ficou acima, metade abaixo) das taxas de 37 instituições no financiamento de veículos foi de 1,76% ao mês de 08/10/2026 a 15/10/2026, um número que não é oferta para ninguém.

Imagine a cena: você escolheu o carro, o vendedor trouxe uma simulação e o banco onde você tem conta mandou outra. Cada uma destaca um número diferente, uma a parcela, outra a taxa. Calma: com quatro ou cinco números de cada proposta dá para comparar de forma justa.

Quem empresta o dinheiro quando você financia na loja

Uma instituição financeira pode contratar uma empresa para atender clientes em nome dela. Esse prestador de serviço se chama correspondente, e a Resolução CMN 4.935/2021 diz o que ele pode fazer. Uma das atividades é receber e encaminhar propostas de operações de crédito “concedidas pela instituição contratante” (art. 12, inciso V). O correspondente atua “por conta e sob as diretrizes” da instituição, que assume a responsabilidade pelo atendimento (art. 3º).

A norma trata, com todas as letras, do correspondente que vende o próprio bem que está sendo financiado (art. 14, parágrafo único, e art. 16, § 2º). E manda o contrato entre ele e a instituição prever, entre outros pontos:

  • Aviso visível: o correspondente divulga ao público que presta serviço à instituição, pelo nome com que ela é conhecida, com os canais de contato dela, inclusive a ouvidoria, em local visível: no site, no aplicativo ou num painel no local de atendimento, se houver loja física (art. 14, inciso III).
  • As tabelas são da instituição: taxas de juros, tarifas e o cálculo do CET seguem os padrões e as tabelas definidos pela instituição (art. 14, inciso VI).
  • Mais de uma instituição: se o correspondente trabalha para várias, ele tem de apresentar a você os custos e as condições de cada uma (art. 14, inciso IV).

Este texto não afirma que toda loja trabalha assim. O ponto prático: pergunte na loja qual instituição concede o crédito, porque é dela o dever de informar o CET antes de você assinar (Resolução CMN 4.881/2020, arts. 1º e 7º). Aí a comparação passa a ser entre duas propostas de crédito, e isso se resolve com conta.

O que pedir em cada proposta

Duas normas dizem o que tem de estar no papel. O Código de Defesa do Consumidor manda o fornecedor informar, “prévia e adequadamente”, numa venda com financiamento (Lei 8.078/1990, art. 52):

  • o preço do produto em reais (inciso I);
  • os juros de mora (os juros cobrados em caso de atraso) e a taxa efetiva anual de juros (inciso II);
  • os acréscimos previstos em lei (inciso III);
  • o número e a periodicidade das parcelas (inciso IV);
  • a soma total a pagar, com e sem financiamento (inciso V).

Já a Resolução CMN 4.881/2020 manda a instituição apresentar, antes da contratação, o CET e o demonstrativo do cálculo (art. 7º). O demonstrativo mostra, em reais, cada valor que você recebe e paga, o percentual de cada um sobre o total devido e a soma das parcelas (art. 7º, § 1º). É ali que aparecem as tarifas e os seguros.

Sobre as tarifas, a regra geral é a Resolução CMN 3.919/2010: só valem se estiverem no contrato ou se você pediu ou autorizou o serviço antes (art. 1º). O post sobre tarifas no empréstimo mostra o que a norma lista, como a tarifa de cadastro.

Por que comparar pelo CET, e não só pela taxa

O CET é uma taxa que representa, de forma consolidada, os encargos e as despesas da operação (Resolução CMN 4.881/2020, art. 2º). O cálculo inclui juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas ligadas à operação, inclusive serviços de terceiros contratados pela instituição que ficam por conta de quem toma o crédito, “mesmo quando essas despesas não forem inseridas no valor do crédito” (art. 3º). Ele vem como taxa ao ano, com duas casas decimais (art. 4º, parágrafo único).

Na prática: uma proposta com taxa de juros menor pode ter um CET maior, se carregar mais custos. O post o que é CET faz a conta passo a passo e CET obrigatório lista o que a instituição tem de informar.

Exemplo 1: mesmo prazo, taxas e custos diferentes

Veja a conta com valores fictícios. Um carro de R$ 60.000,00, com R$ 20.000,00 de entrada: sobram R$ 40.000,00 para financiar, em 48 parcelas. A proposta 1 tem taxa de juros de 1,49% ao mês e R$ 2.500,00 de custos somados ao valor financiado. A proposta 2 tem taxa de 1,69% ao mês e R$ 500,00 de custos. Chamamos de 1 e 2 de propósito: qualquer uma pode ser a da loja ou a do banco.

As taxas são inventadas, mas ficam dentro da faixa em que se concentrou a metade do meio das instituições nos dados oficiais do Banco Central (de 1,42% a 2,04% ao mês, de 08/10/2026 a 15/10/2026), para o exemplo se parecer com a vida real. Ao lado de cada taxa ao mês vai a taxa ao ano equivalente, por juros compostos: os juros de um mês passam a render juros no mês seguinte, então a taxa ao ano é maior que a mensal × 12 (1,49% ao mês dá 19,42% ao ano, e não 17,88%). O post sobre juros compostos do mês para o ano explica a conta.

Exemplo fictício, 48 parcelasProposta 1Proposta 2
Taxa de juros1,49% ao mês (19,42% ao ano)1,69% ao mês (22,28% ao ano)
Custos somados ao valor financiadoR$ 2.500,00R$ 500,00
Valor financiadoR$ 42.500,00R$ 40.500,00
ParcelaR$ 1.245,77R$ 1.238,48
Total das parcelasR$ 59.797,16R$ 59.447,02
Total com a entradaR$ 79.797,16R$ 79.447,02
Taxa equivalente ao custo (aproximada)1,78% ao mês (23,55% ao ano)1,75% ao mês (23,14% ao ano)
Exemplo fictício: carro de R$ 60.000,00, entrada de R$ 20.000,00, R$ 40.000,00 para o carro, taxas e custos inventados. Juros compostos, parcelas iguais (tabela Price), primeira parcela um mês depois, sem IOF nem outras despesas além dos custos indicados. A taxa equivalente é a que faz as parcelas valerem R$ 40.000,00 hoje, calculada em meses; não é o CET oficial. O total usa a parcela sem arredondar, por isso pode diferir em centavos de parcela × prazo; as diferenças citadas no texto vêm dos totais da tabela. Cálculo do Creditoscópio com as mesmas fórmulas das calculadoras do site.

A proposta 1 tem a taxa de juros menor, mas a parcela sai R$ 7,29 maior e o total, R$ 350,14 maior. Os custos financiados explicam a diferença: eles entram no saldo e pagam juros junto com o carro.

A última linha resume isso. A taxa equivalente é a que, aplicada aos R$ 40.000,00 que foram para o carro, dá as mesmas parcelas: 1,78% ao mês na proposta 1 e 1,75% na 2. É a ideia do CET, simplificada; o CET oficial conta os prazos em dias corridos e inclui tudo o que a proposta tiver (art. 4º), então o número do demonstrativo pode sair um pouco diferente.

Outra forma de ver: com 1,49% ao mês, a proposta 1 empataria com a 2 se os custos somados fossem de até R$ 2.251,15. Acima disso, a taxa menor deixa de compensar no total. Para fazer essa conta com a sua proposta, a calculadora da taxa do parcelamento pede o preço à vista, a entrada, a parcela e o número de parcelas e devolve a taxa embutida (ela também não é o CET da oferta).

Exemplo 2: prazos diferentes

Agora, propostas com prazos diferentes. Os mesmos R$ 40.000,00, sem custos, para isolar o efeito do prazo. A proposta 3 é de 36 parcelas a 1,79% ao mês; a proposta 4, de 60 parcelas a 1,59% ao mês. Refizemos a proposta 4 também em 36 parcelas.

Exemplo fictício, R$ 40.000,00Proposta 3: 36 mesesProposta 4: 60 mesesProposta 4 refeita em 36 meses
Taxa de juros1,79% ao mês (23,73% ao ano)1,59% ao mês (20,84% ao ano)1,59% ao mês (20,84% ao ano)
ParcelaR$ 1.516,88R$ 1.039,38R$ 1.467,86
Total das parcelasR$ 54.607,63R$ 62.363,02R$ 52.842,93
Juros no totalR$ 14.607,63R$ 22.363,02R$ 12.842,93
Exemplo fictício: R$ 40.000,00 financiados, taxas inventadas, sem custos, juros compostos, parcelas iguais (tabela Price), sem IOF, tarifas nem seguros. O total usa a parcela sem arredondar, por isso pode diferir em centavos de parcela × prazo; as diferenças citadas no texto vêm dos totais da tabela. Cálculo do Creditoscópio com as mesmas fórmulas das calculadoras do site.

A proposta 4 tem a taxa menor e a parcela menor, e mesmo assim o total sai R$ 7.755,39 maior. Não é a taxa: são 24 meses a mais de juros correndo. Quando a mesma taxa é usada em 36 parcelas, a proposta 4 custa R$ 1.764,70 menos que a 3.

A lição: com prazos diferentes, o total pago sozinho mistura duas coisas, o preço do dinheiro e o tempo da dívida. Compare primeiro a taxa e o CET, que medem o custo por período (ao mês ou ao ano) e por isso servem de régua mesmo com prazos diferentes. Depois peça as duas simulações no mesmo prazo. Por fim, escolha o prazo pelo que cabe no seu mês. O post sobre prazo do empréstimo mostra quanto cada ano a mais pesa nos juros.

Entrada e carência também mudam a conta

Se as propostas pedem entradas diferentes, some a entrada ao total das parcelas antes de comparar, como na linha “Total com a entrada” do exemplo 1. Uma parcela menor pode vir só de uma entrada maior. O post sobre entrada no financiamento de carro faz essa conta.

E se uma proposta oferece meses sem pagar no começo, os juros seguem correndo: veja o post sobre carência no financiamento.

Onde entram os dados oficiais do Banco Central

O Banco Central publica, por instituição, a taxa média das operações de “aquisição de veículos” prefixadas para pessoa física, contratadas em janelas de cinco dias úteis. De 08/10/2026 a 15/10/2026, 37 instituições tiveram taxa publicada, e a mediana foi de 1,76% ao mês. Mediana é o valor do meio da lista: metade ficou acima, metade abaixo, e cada instituição pesa igual.

A faixa do meio, do P25 ao P75, foi de 1,42% a 2,04% ao mês. Em palavras: um quarto das instituições ficou abaixo de 1,42% e um quarto acima de 2,04%. A menor taxa média publicada foi de 0,56% ao mês, e a maior, de 3,41%. Cada instituição tem a sua carteira, com clientes, carros e prazos diferentes, e o dado não diz o motivo de cada taxa.

Dois limites importam. Primeiro, o Banco Central publica a taxa por instituição, não pelo lugar onde a proposta foi feita: o dado não separa a loja do banco. Segundo, a documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele. Também não é oferta individual.

Onde ela ajuda: para situar a taxa de juros da sua proposta (não o CET) entre as referências publicadas. A ferramenta compare a sua taxa faz isso; o post sobre os juros do financiamento de veículo detalha a série; e, se a proposta for de um banco ligado a uma montadora, a página dos bancos de montadoras mostra a mediana desse grupo.

Quais instituições têm taxa publicada no financiamento de veículos? A página mostra a referência média de cada uma no período, a posição na distribuição e a evolução da mediana desde 2012.

Ver os juros do financiamento de veículos

Roteiro para levar às duas conversas

  • Qual instituição concede o crédito em cada proposta.
  • Preço à vista, entrada e valor financiado, iguais nas duas, se possível.
  • Número de parcelas e valor de cada uma.
  • Taxa de juros ao mês e ao ano.
  • CET e o demonstrativo, com tarifas, seguros e tributos item por item.
  • Soma total a pagar, com e sem financiamento.

Com isso em mãos, a calculadora de juros compostos refaz a parcela e o total de cada proposta, e a trilha “Vou financiar um carro” junta, em ordem, o dado, as ferramentas e os outros textos sobre o tema. A escolha depende dos números das suas propostas e do que cabe no seu orçamento.

Perguntas frequentes

Financiamento de carro: pelo banco ou direto na concessionária?

Não há resposta pelo lugar: compare as duas propostas pelo CET e pelo total pago, no mesmo valor e prazo. O dado oficial também não separa loja e banco; ele mostra a taxa média por instituição. De 08/10/2026 a 15/10/2026, a mediana de 37 instituições no financiamento de veículos foi de 1,76% ao mês, segundo o Banco Central. A página do financiamento de veículos traz a lista completa.

O que é o CET do financiamento?

É a taxa anual que junta os encargos e as despesas da operação: juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas ligadas a ela, mesmo as que não entram no valor financiado (Resolução CMN 4.881/2020, arts. 2º e 3º); o post o que é CET mostra a conta. A instituição tem de informá-lo, com o demonstrativo, antes da contratação (art. 7º). Não compare o CET com a taxa publicada pelo Banco Central: são números de natureza diferente.

Taxa zero na concessionária tem custo?

Olhe o CET: tarifas, tributos e seguros entram nele mesmo com juros zero (Resolução CMN 4.881/2020, art. 3º). Peça também o preço à vista e a soma total com financiamento, que o fornecedor tem de informar (Código de Defesa do Consumidor, art. 52, incisos I e V). Se a soma das parcelas com a entrada passar do preço à vista, a calculadora da taxa do parcelamento mostra a taxa embutida. E o anúncio de uma instituição que mostra a taxa de juros tem de mostrar o CET (Resolução CMN 4.881/2020, art. 8º).

Quais tarifas podem entrar no financiamento de veículo?

Pela Resolução CMN 3.919/2010, a tarifa precisa estar no contrato ou ter sido pedida ou autorizada por você (art. 1º). A norma lista a tarifa de cadastro, ligada ao início do relacionamento e não cumulativa (Tabela I, item 1.1), e a avaliação de bens recebidos em garantia, com as condições de utilização e de pagamento explicadas ao cliente (art. 5º, caput e inciso VI). As tarifas entram no CET (Resolução CMN 4.881/2020, art. 3º). O post sobre tarifas no empréstimo detalha a norma.

Como comparar duas propostas com prazos diferentes?

Compare primeiro a taxa e o CET, que medem o custo por período, e depois peça as duas no mesmo prazo. No exemplo fictício deste texto, 60 parcelas a 1,59% ao mês somam R$ 7.755,39 a mais que 36 parcelas a 1,79%, mas, refeitas em 36 parcelas, custam R$ 1.764,70 menos. A calculadora de juros compostos refaz a conta com os seus números.

Fontes