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Juros do crédito subiram? O que 24 meses mostram

Redação Creditoscópioatualizado

Juros do crédito subiram? O que 24 meses mostram

Os juros do crédito não se moveram em bloco. No período de 14/09/2026 a 18/09/2026, a mediana das instituições com dados ficou acima da mediana dos 24 meses anteriores (outubro de 2024 a setembro de 2026) em quatro das seis modalidades analisadas aqui, e abaixo em duas: consignado INSS e cartão rotativo. As diferenças vão de 0,01 a 1,16 ponto percentual ao mês. Os números são das taxas por instituição publicadas pelo Banco Central; as medianas são cálculo do Creditoscópio. O dado mostra onde cada mediana está em relação ao próprio histórico, e não diz por que ela mudou.

A janela de 14/09 a 18/09/2026 contra os 24 meses, modalidade por modalidade

A comparação tem dois lados. De um, a mediana das instituições com dados na janela de 14/09/2026 a 18/09/2026, a mais recente publicada pelo Banco Central até 02/10/2026, data em que os dados deste texto foram lidos. O site e o raio-x do pedido de crédito são atualizados com o dado do Banco Central três vezes por semana e, por isso, podem mostrar uma janela mais nova que a deste texto. Do outro, uma referência: a mediana de 24 pontos mensais, de outubro de 2024 a setembro de 2026, em que cada ponto é a mediana das instituições na primeira janela de 5 dias úteis do mês. A janela de 14/09 a 18/09 não é um desses 24 pontos; o ponto de setembro de 2026 é a janela iniciada em 01/09/2026. A análise cobre seis modalidades, todas na janela de 14/09/2026 a 18/09/2026: consignado INSS, financiamento de veículos, crédito pessoal sem consignado, cheque especial, cartão parcelado e cartão rotativo. O consignado público não entra nesta análise.

ModalidadeMediana de 14/09 a 18/09/2026Instituições (n)Mediana dos 24 pontos mensaisDiferençaPosição
Consignado INSS1,79% ao mês361,81% ao mês0,02 ponto percentual (1,1%)abaixo
Financiamento de veículos1,82% ao mês411,81% ao mês0,01 ponto percentual (0,6%)acima
Crédito pessoal (sem consignado)6,39% ao mês815,23% ao mês1,16 ponto percentual (22,2%)acima
Cheque especial8,16% ao mês307,91% ao mês0,25 ponto percentual (3,2%)acima
Cartão de crédito parcelado8,74% ao mês608,67% ao mês0,07 ponto percentual (0,8%)acima
Cartão rotativo15,60% ao mês6415,81% ao mês0,21 ponto percentual (1,3%)abaixo
Taxas por instituição publicadas pelo Banco Central, modalidades prefixadas para pessoas físicas (códigos 218101, 401101, 221101, 216101, 215101 e 204101). Mediana das instituições com dados disponíveis no período de 14/09/2026 a 18/09/2026, com o n ao lado, e mediana de 24 pontos mensais, de outubro de 2024 (janela iniciada em 01/10/2024) a setembro de 2026 (janela iniciada em 01/09/2026), um ponto por mês: a primeira janela de 5 dias úteis de cada mês. Medianas e diferenças calculadas pelo Creditoscópio; o percentual entre parênteses é a diferença em relação à mediana dos 24 pontos. Linhas da menor para a maior mediana no período de 14/09/2026 a 18/09/2026. As linhas são modalidades, não instituições.

Em quatro das seis linhas, a distância é de menos de 0,25 ponto percentual ao mês. No financiamento de veículos, a mediana fica 0,01 ponto acima da referência; no consignado INSS, 0,02 ponto abaixo. No cheque especial, a distância é de 0,25 ponto (3,2% da referência). A maior diferença é a do crédito pessoal sem consignado: 6,39% ao mês no período de 14/09/2026 a 18/09/2026, contra 5,23% na mediana dos 24 pontos, uma diferença de 1,16 ponto percentual (22,2% da referência).

A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele. A taxa do Banco Central também não é oferta individual: é a referência média das operações de cada instituição na janela, e a mediana resume essas referências.

O menor e o maior ponto de cada modalidade

A mediana dos 24 pontos resume o intervalo em um número. O mínimo e o máximo mostram quanto as medianas mensais oscilaram dentro dele, e em que mês ficou cada extremo.

ModalidadeMenor mediana mensalMaior mediana mensalDistância entre as duasInstituições por ponto (n)
Consignado INSS1,63% (nov/2024)1,84% (jun/2026 e jul/2026)0,21 ponto percentualde 31 a 41
Financiamento de veículos1,70% (set/2026)2,01% (fev/2025)0,31 ponto percentualde 36 a 45
Crédito pessoal (sem consignado)4,17% (dez/2024)6,01% (mar/2026)1,84 ponto percentualde 55 a 90
Cheque especial7,46% (nov/2024)8,05% (set/2026)0,59 ponto percentualde 25 a 34
Cartão de crédito parcelado8,43% (abr/2026)9,33% (out/2024)0,90 ponto percentualde 50 a 62
Cartão rotativo15,12% (abr/2026)16,24% (abr/2025)1,12 ponto percentualde 51 a 64
Taxas por instituição publicadas pelo Banco Central; medianas mensais calculadas pelo Creditoscópio, em % ao mês, nos 24 pontos de outubro de 2024 a setembro de 2026 (primeira janela de 5 dias úteis de cada mês). A última coluna traz o menor e o maior número de instituições com dados entre os 24 pontos. Linhas na mesma ordem da primeira tabela (da menor para a maior mediana no período de 14/09/2026 a 18/09/2026).

Os extremos se espalham por 10 dos 24 meses, e três meses concentram mais de um. Novembro de 2024 tem o menor ponto do consignado INSS e o do cheque especial; abril de 2026, o menor do cartão parcelado e o do cartão rotativo; setembro de 2026, o maior do cheque especial e o menor do financiamento de veículos. Nos demais, cada extremo cai num mês diferente: o maior ponto do cartão parcelado é o primeiro do intervalo (outubro de 2024), e o do cartão rotativo fica em abril de 2025.

Em duas modalidades, a mediana da janela de 14/09 a 18/09/2026 fica fora da faixa dos 24 pontos mensais. No crédito pessoal, os 6,39% ao mês de 14/09/2026 a 18/09/2026 estão acima do maior ponto mensal (6,01%, em março de 2026). No cheque especial, os 8,16% estão acima do maior ponto (8,05%, em setembro de 2026). Isso é possível porque essa janela não é um dos 24 pontos: é outra janela de 5 dias úteis, com outro conjunto de operações e, em parte, de instituições. Nas outras quatro modalidades, a mediana da janela de 14/09 a 18/09/2026 está dentro da faixa.

Subiram ou caíram? Depende de como se mede

Outra forma de responder é comparar só as pontas do intervalo: o ponto de outubro de 2024 e o de setembro de 2026. Nessa conta, o último ponto é maior do que o primeiro em quatro modalidades e menor em duas.

ModalidadePonto de out/2024Ponto de set/2026Diferença
Consignado INSS1,65% (n = 40)1,79% (n = 36)0,14 ponto percentual, maior
Financiamento de veículos1,77% (n = 44)1,70% (n = 39)0,07 ponto percentual, menor
Crédito pessoal (sem consignado)4,27% (n = 85)5,90% (n = 75)1,63 ponto percentual, maior
Cheque especial7,94% (n = 28)8,05% (n = 31)0,11 ponto percentual, maior
Cartão de crédito parcelado9,33% (n = 61)8,60% (n = 61)0,73 ponto percentual, menor
Cartão rotativo15,33% (n = 61)15,86% (n = 62)0,53 ponto percentual, maior
Taxas por instituição publicadas pelo Banco Central; mediana das instituições com dados na primeira janela de 5 dias úteis de outubro de 2024 (iniciada em 01/10/2024) e de setembro de 2026 (iniciada em 01/09/2026), em % ao mês, calculada pelo Creditoscópio, com o n de cada ponto. Linhas na mesma ordem da primeira tabela (da menor para a maior mediana no período de 14/09/2026 a 18/09/2026).

As duas contas não dão a mesma resposta em quatro das seis modalidades. No cartão rotativo, a mediana da janela de 14/09 a 18/09/2026 está abaixo da mediana dos 24 pontos, mas o ponto de setembro de 2026 é maior do que o de outubro de 2024. No consignado INSS acontece o mesmo. No cartão parcelado e no financiamento de veículos é o inverso: a janela de 14/09 a 18/09/2026 está acima da referência, e o último ponto é menor do que o primeiro. Só o crédito pessoal e o cheque especial aparecem com sinal de alta nas duas contas.

Comparar duas pontas é a medida mais frágil das duas, porque depende de dois meses específicos: no cartão parcelado, o ponto de outubro de 2024 é justamente o maior dos 24. A mediana dos 24 pontos usa o intervalo inteiro. Por isso, uma frase como “os juros subiram” ou “os juros caíram” só faz sentido com a modalidade, o período e a medida ao lado.

O que esse histórico não mostra

  • O motivo. O dado traz a taxa média por instituição em cada janela. Ele não diz por que a mediana de uma modalidade ficou maior ou menor, e este texto não atribui a mudança a nenhum fator.
  • O que vem depois. A série descreve janelas que já passaram. Ela não indica a direção das próximas.
  • A taxa de um contrato. A mediana resume as referências médias das instituições. A taxa que vale para uma pessoa é a da proposta que ela recebe.
  • As mesmas instituições ao longo do tempo. O conjunto de instituições com dados muda de um mês para outro: no crédito pessoal, foram de 55 a 90 por ponto nos 24 meses; no cheque especial, de 25 a 34. O Banco Central informa que uma instituição pode não aparecer por não ter feito operações na modalidade no período ou por não ter prestado as informações no prazo. Parte da diferença entre dois pontos pode vir dessa troca de instituições, e o dado publicado não permite separar uma coisa da outra.
  • O volume. Na mediana, cada instituição pesa igual, seja um grande banco ou uma financeira pequena. Ela não é a taxa média do crédito concedido no país.

No crédito pessoal, onde a diferença é maior, a ressalva pesa mais. As taxas das instituições nessa modalidade são muito diferentes entre si (no período de 14/09/2026 a 18/09/2026, o P25 foi de 2,90% e o P75 de 11,50% ao mês, entre 81 instituições), e a mediana, sozinha, resume mal o conjunto: a página do crédito pessoal mostra a distribuição completa e o gráfico da mediana mês a mês, com o número de instituições de cada ponto.

Por que um ponto por mês

O Banco Central publica a taxa média das operações contratadas em janelas de 5 dias úteis, e as janelas consecutivas se sobrepõem: duas janelas seguidas compartilham quatro dos cinco dias. Os pontos de uma série com todas as janelas não seriam independentes uns dos outros. Por isso o histórico do Creditoscópio usa um ponto por mês, a primeira janela de 5 dias úteis de cada mês, e essas janelas não se sobrepõem entre si.

Condições é um dos 5 Cs do crédito

“Condições” é o quinto dos 5 Cs do crédito, o roteiro clássico de perguntas de quem empresta: como estão os juros e o mercado no momento do pedido. No raio-x do pedido de crédito do Creditoscópio, esse ponto segue a mesma conta da primeira tabela: a mediana da janela mais recente que o site tiver no momento da consulta contra a mediana dos últimos 24 pontos mensais. O sinal é “a favor” quando ela está abaixo, “ponto de atenção” quando está acima e “informativo” quando a diferença é menor que 0,05% da referência.

A ferramenta cobre três das seis modalidades deste texto: crédito pessoal sem consignado, consignado INSS e financiamento de veículos. Com os dados de 14/09/2026 a 18/09/2026, a regra dá “a favor” no consignado INSS e “ponto de atenção” no crédito pessoal e no financiamento de veículos. No financiamento de veículos, o sinal vem de uma diferença de 0,01 ponto percentual (0,6% da referência), acima do limite de 0,05% da regra. O sinal descreve a posição da mediana diante do próprio histórico. Não é nota, não estima aprovação e não diz se é hora de contratar ou de esperar.

Como as condições entram no seu pedido? O raio-x lê o pedido pelos 5 Cs, calcula a parcela com a mediana publicada da modalidade e mostra a conta de cada ponto, inclusive a mediana dos últimos 24 meses. Sem nota e sem chance de aprovação.

Fazer o raio-x do pedido de crédito

O histórico mês a mês de cada uma das seis modalidades deste texto, com o número de instituições de cada ponto, está em Crédito: consignado INSS, financiamento de veículos, crédito pessoal, cheque especial, cartão parcelado e cartão rotativo.

Perguntas frequentes

Os juros do crédito subiram ou caíram?

Depende da modalidade e da medida. Nos dados do Banco Central, a mediana das instituições no período de 14/09/2026 a 18/09/2026 ficou acima da mediana dos 24 pontos mensais de outubro de 2024 a setembro de 2026 em quatro modalidades (financiamento de veículos, crédito pessoal, cheque especial e cartão parcelado) e abaixo em duas (consignado INSS e cartão rotativo). O dado não diz por quê.

Em qual modalidade a diferença é maior?

No crédito pessoal sem consignado: 6,39% ao mês no período de 14/09/2026 a 18/09/2026 (81 instituições), contra 5,23% na mediana dos 24 pontos mensais, uma diferença de 1,16 ponto percentual. É também a modalidade em que o número de instituições com dados mais variou no intervalo, de 55 a 90 por ponto.

Por que a mediana de 14/09 a 18/09/2026 pode ficar acima do máximo dos 24 meses?

Porque ela não é um dos 24 pontos. O histórico usa a primeira janela de 5 dias úteis de cada mês; a janela de 14/09/2026 a 18/09/2026 é outra. No crédito pessoal (6,39% contra o máximo de 6,01%) e no cheque especial (8,16% contra 8,05%), ela ficou acima do maior ponto mensal.

Esse histórico mostra se os juros vão cair?

Não. A série descreve janelas que já passaram e não indica a direção das próximas. Ela também não informa a causa das mudanças.

A mediana é a taxa que vou pagar?

Não. A taxa do Banco Central é a referência média das operações de cada instituição em uma janela de 5 dias úteis, e a mediana resume essas referências. Não é oferta individual. A taxa que vale é a do contrato, e o CET da proposta mostra o custo total: faça a conta com a sua taxa.

Por que 24 meses?

É o intervalo que o raio-x do pedido de crédito do Creditoscópio usa no ponto “Condições”, e este texto aplica a mesma conta às seis modalidades. É uma escolha do Creditoscópio, não uma regra do Banco Central; com outro intervalo, a referência seria outra. As páginas de cada modalidade mostram a série mensal completa.

Fontes

  • Banco Central do Brasil, Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira (médias dos últimos 5 dias): modalidades prefixadas para pessoas físicas, códigos 218101 (crédito pessoal consignado INSS), 401101 (aquisição de veículos), 221101 (crédito pessoal não consignado), 216101 (cheque especial), 215101 (cartão de crédito parcelado) e 204101 (cartão de crédito rotativo total), período de 14/09/2026 a 18/09/2026 e 24 pontos mensais de outubro de 2024 a setembro de 2026; medianas, mínimos, máximos e diferenças calculados pelo Creditoscópio.
  • Banco Central do Brasil, Portal de dados abertos, conjunto Taxas de juros de operações de crédito: descrição da taxa como custo efetivo médio, com “encargos fiscais e operacionais”, da ponderação pelos valores contratados nos cinco dias úteis e dos motivos pelos quais uma instituição pode não aparecer nas tabelas. Texto lido em 02/10/2026.
  • Creditoscópio, Raio-x do pedido de crédito (regra do sinal de condições) e Metodologia (o que a taxa publicada significa, a mediana entre as instituições e o histórico com um ponto por mês).