Nem todo ano, e não em todas as modalidades. Nos dados do Banco Central, a mediana das instituições na primeira janela de cinco dias úteis de dezembro ficou acima da de novembro em 23 de 50 comparações: 6 de 11 anos no cartão rotativo e 4 de 11 no cartão parcelado (2015 a 2025), 4 de 14 no crédito pessoal e 9 de 14 no cheque especial (2012 a 2025). A diferença entre os dois meses foi de -0,98 a +1,88 ponto percentual ao mês. O dado mostra o tamanho da mudança, mas não diz por que ela aconteceu.
A pergunta aparece todo fim de ano. Vêm as compras de Natal, a fatura cresce, e bate a dúvida: se a conta ficar para dezembro, os juros vão estar mais altos? A ideia de que o crédito “encarece no fim do ano” circula bastante. Aqui está o que mais de uma década de dados públicos mostra sobre isso, modalidade por modalidade.
Como a conta foi feita
O Banco Central publica, para cada instituição, a taxa média das operações contratadas em janelas de cinco dias úteis. Essas janelas se sobrepõem: duas seguidas dividem quatro dos cinco dias. Por isso o histórico do Creditoscópio usa um ponto por mês, sempre a primeira janela de cinco dias úteis do mês, e essas janelas não se sobrepõem.
Em cada ponto, o número usado é a mediana das instituições com dados disponíveis no período. Mediana é o valor do meio: metade das instituições ficou acima, metade abaixo. Ela pesa cada instituição igual, seja um banco grande ou uma financeira pequena. Por isso não é a taxa média do crédito concedido no país.
Um detalhe importante: o ponto de “dezembro” é a janela que começa entre 1º e 3 de dezembro. Ele mostra o começo do mês, não as semanas do Natal. A comparação foi feita em todos os anos que têm os dois pontos: de 2012 a 2025 no crédito pessoal e no cheque especial, e de 2015 a 2025 nos cartões, que é quando o histórico deles começa.
Dezembro contra novembro, nas quatro modalidades
| Modalidade | Anos comparados | Dezembro acima de novembro | Dezembro abaixo de novembro | Dezembro menos novembro (de/até) | Instituições por ponto (n médio) |
|---|---|---|---|---|---|
| Cartão rotativo | 2015 a 2025 | 6 de 11 | 5 de 11 | -0,51 a +0,40 ponto | 55 (de 48 a 64) |
| Cartão parcelado | 2015 a 2025 | 4 de 11 | 7 de 11 | -0,43 a +0,25 ponto | 50 (de 37 a 63) |
| Crédito pessoal (sem consignado) | 2012 a 2025 | 4 de 14 | 10 de 14 | -0,98 a +0,84 ponto | 69 (de 55 a 90) |
| Cheque especial | 2012 a 2025 | 9 de 14 | 5 de 14 | -0,37 a +1,88 ponto | 31 (de 26 a 37) |
Somando tudo, dezembro ficou acima de novembro em 23 das 50 comparações. Só no cheque especial a alta apareceu na maioria dos anos. No crédito pessoal e no cartão parcelado foi o contrário: dezembro ficou abaixo de novembro na maior parte das vezes. E no rotativo deu quase empate, 6 anos para cima e 5 para baixo.
Dezembro sobe mais do que um mês qualquer?
Para saber se dezembro tem algo de especial, vale olhar com que frequência a mediana sobe de um mês para o seguinte ao longo de todo o histórico. Se dezembro subisse muito mais vezes do que os outros meses, seria um sinal de padrão.
| Modalidade | Dezembro acima de novembro | Qualquer mês acima do anterior |
|---|---|---|
| Cartão rotativo | 55% (6 de 11) | 54% (76 de 140) |
| Cartão parcelado | 36% (4 de 11) | 51% (72 de 140) |
| Crédito pessoal (sem consignado) | 29% (4 de 14) | 53% (93 de 176) |
| Cheque especial | 64% (9 de 14) | 49% (87 de 176) |
No rotativo, dezembro sobe praticamente tantas vezes quanto um mês qualquer. No cheque especial, um pouco mais; no parcelado e no crédito pessoal, menos. Só que 11 ou 14 anos são poucos: no rotativo, cada ano vale 1 em 11, e um único dezembro diferente já mexe bastante na porcentagem. Esta é uma contagem simples, sem teste estatístico, e ela não autoriza falar em “padrão de dezembro”.
O cartão rotativo, ano a ano
O rotativo é a dívida que nasce quando você paga menos que o total da fatura. Como é a dúvida mais comum no fim do ano, vale ver os onze anos lado a lado.
| Ano | Novembro | Dezembro | Dezembro menos novembro |
|---|---|---|---|
| 2015 | 15,56% (n = 48) | 15,05% (n = 48) | -0,51 |
| 2016 | 16,15% (n = 51) | 16,06% (n = 52) | -0,09 |
| 2017 | 12,45% (n = 50) | 12,56% (n = 48) | +0,11 |
| 2018 | 11,78% (n = 51) | 11,82% (n = 51) | +0,04 |
| 2019 | 13,29% (n = 54) | 13,19% (n = 53) | -0,10 |
| 2020 | 12,96% (n = 56) | 12,68% (n = 58) | -0,28 |
| 2021 | 13,48% (n = 55) | 13,58% (n = 53) | +0,10 |
| 2022 | 14,16% (n = 59) | 14,56% (n = 58) | +0,40 |
| 2023 | 15,45% (n = 64) | 15,23% (n = 64) | -0,22 |
| 2024 | 15,95% (n = 62) | 16,13% (n = 61) | +0,18 |
| 2025 | 15,65% (n = 51) | 15,78% (n = 57) | +0,13 |
Nos dois últimos anos da tabela, 2024 e 2025, dezembro ficou um pouco acima de novembro. Antes disso, o sinal foi trocando sem uma ordem fixa. A maior alta foi a de 2022: de 14,16% para 14,56% ao mês, 0,40 ponto. A maior queda foi a de 2015: de 15,56% para 15,05%, 0,51 ponto.
Quanto isso representa no bolso? Veja a conta com a maior alta da série. Numa dívida de R$ 1.000 que passasse um mês inteiro a 14,16% ao mês, os juros do mês seriam de R$ 141,60. A 14,56%, seriam R$ 145,60: R$ 4,00 a mais. A conta usa juros compostos de um mês, sem IOF, tarifa, seguro ou encargos de atraso, e é só uma ilustração, porque a mediana não é a taxa de nenhum contrato. Ela mostra uma coisa útil: perto dos R$ 141,60 de juros em um único mês, a diferença entre novembro e dezembro é pequena.
Qual é a mediana do rotativo agora? A página do cartão rotativo mostra a mediana do período mais recente publicado pelo Banco Central, a distribuição entre as instituições e o histórico mês a mês, com o n de cada ponto.
Cheque especial: mais altas, quase todas pequenas
O cheque especial é a modalidade em que dezembro mais ficou acima de novembro: 9 de 14 anos. Mas o tamanho conta. Em 6 desses 9 anos, a alta foi de menos de 0,30 ponto percentual ao mês, como em 2013 (de 5,55% para 5,56%) e 2022 (de 7,93% para 7,95%).
Dois anos puxam a faixa para cima. Em 2017, a mediana foi de 8,90% para 9,93% ao mês (+1,03 ponto). Em 2020, de 6,00% para 7,88% (+1,88 ponto), a maior diferença das 50 comparações. O dado não diz o que aconteceu nesses dois anos, e este texto não atribui a mudança a nenhum fator.
Crédito pessoal e cartão parcelado: dezembro abaixo na maioria dos anos
No crédito pessoal sem consignado, dezembro ficou abaixo de novembro em 10 de 14 anos. As exceções incluem duas altas grandes: 2015 (de 6,55% para 7,39%, +0,84 ponto) e 2025 (de 4,67% para 5,50%, +0,83 ponto). A maior queda das 50 comparações também está aqui: 2017, de 7,79% para 6,81% (-0,98 ponto).
Repare no n de 2025: o ponto de novembro tinha 55 instituições, e o de dezembro, 69. Quando o grupo de instituições muda tanto de um mês para o outro, parte da diferença pode vir só dessa troca. O Banco Central informa que uma instituição pode não aparecer num período por não ter feito operações na modalidade ou por não ter enviado as informações no prazo. O dado publicado não permite separar o efeito da troca do efeito da mudança de taxa.
No cartão parcelado, dezembro ficou abaixo em 7 de 11 anos, com diferenças menores: de -0,43 a +0,25 ponto percentual ao mês.
Quer ver novembro e dezembro de cada ano no gráfico? O explorador do histórico desenha até quatro séries mensais desde 2012, com a tabela e o n de cada ponto, e copia os números para você conferir.
O que este histórico não mostra
- O motivo. A série traz a taxa média de cada instituição em cada janela. Ela não diz por que a mediana subiu ou caiu num ano.
- O resto de dezembro. O ponto do mês é a primeira janela de cinco dias úteis, que começa entre 1º e 3 de dezembro. As semanas do Natal ficam de fora desta comparação.
- O próximo dezembro. O histórico descreve anos que já passaram. Ele não prevê o que vai acontecer em 2026.
- A sua taxa. A documentação do Banco Central descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele. A taxa do Banco Central também não é oferta individual: a mediana resume as referências médias das instituições.
- As mesmas instituições. O grupo com dados muda de mês para mês. No crédito pessoal, os pontos de novembro e dezembro usados aqui tiveram de 55 a 90 instituições.
Se a fatura de dezembro já preocupa
Fim de ano aperta o orçamento de muita gente, e é normal se preocupar com a fatura. O histórico ajuda a tirar um peso da conta: o mês, sozinho, não mudou muito a mediana. O que pesa é a taxa do rotativo em si, que fica acima de 10% ao mês em todos os pontos da tabela do rotativo acima.
A taxa que vale para você é a que aparece na sua fatura ou no seu contrato, junto com o CET. O guia sobre os juros do rotativo do cartão explica como essa dívida funciona, quanto tempo ela pode durar e faz a conta de uma dívida de R$ 1.000. E, se a dúvida é sobre a Selic, o texto sobre Selic e juros do cartão mostra o que os dados dizem dessa relação. Com a sua taxa em mãos, faça a conta com os seus números.
Perguntas frequentes
Os juros do cartão sobem no fim do ano?
Não todo ano. No cartão rotativo, a mediana das instituições na primeira janela de cinco dias úteis de dezembro ficou acima da de novembro em 6 de 11 anos (2015 a 2025). No cartão parcelado, em 4 de 11. Os dados são do Banco Central; as medianas e as diferenças são cálculo do Creditoscópio.
Em qual modalidade dezembro ficou acima de novembro mais vezes?
No cheque especial: 9 de 14 anos, de 2012 a 2025. Em 6 desses 9 anos, porém, a alta foi de menos de 0,30 ponto percentual ao mês. As duas maiores foram em 2017 (+1,03 ponto) e 2020 (+1,88 ponto).
E de dezembro para janeiro?
Pela mesma regra (primeira janela de cinco dias úteis de cada mês), a mediana de janeiro ficou acima da de dezembro em 7 de 11 viradas de ano no cartão rotativo, 8 de 11 no cartão parcelado, 11 de 14 no crédito pessoal e 8 de 14 no cheque especial (viradas de 2015/2016 a 2025/2026 nos cartões e de 2012/2013 a 2025/2026 nas outras duas). São poucos anos, e o dado não diz por quê.
Dá para usar esse histórico para escolher o mês de contratar?
O histórico não prevê o próximo mês nem o próximo dezembro. Ele mostra que a diferença entre novembro e dezembro mudou de sinal de um ano para o outro em todas as quatro modalidades. A taxa que conta é a da proposta que você recebe: compare o CET e faça a conta com a sua taxa.
A mediana é a taxa que eu vou pagar?
Não. A taxa publicada pelo Banco Central é a média das operações de cada instituição numa janela de cinco dias úteis, e a mediana resume essas médias. Não é oferta individual nem a taxa de um contrato.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira (médias dos últimos 5 dias): modalidades prefixadas para pessoas físicas, códigos 204101 (cartão de crédito rotativo total), 215101 (cartão de crédito parcelado), 221101 (crédito pessoal não consignado) e 216101 (cheque especial). Primeira janela de 5 dias úteis de cada mês, de janeiro de 2012 (cartões: janeiro de 2015) a setembro de 2026; medianas, diferenças e contagens calculadas pelo Creditoscópio com o dado lido em 15/10/2026.
- Banco Central do Brasil, Portal de dados abertos, conjunto Taxas de juros de operações de crédito: descrição da taxa como custo efetivo médio, com “encargos fiscais e operacionais”, e dos motivos pelos quais uma instituição pode não aparecer. Texto lido em 15/10/2026.
- Creditoscópio, Metodologia: o que a taxa publicada significa, a mediana entre as instituições e o histórico com um ponto por mês.
