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Parcelado sem juros: como achar a taxa embutida

Redação Creditoscópioatualizado

Parcelado sem juros: como achar a taxa embutida

Quando o preço à vista é menor que a soma das parcelas, o parcelamento tem uma taxa de juros implícita, mesmo que o anúncio diga “sem juros”. A taxa é a que faz as parcelas valerem, hoje, o preço à vista. Num exemplo fictício, um produto de R$ 900 à vista ou 10 parcelas de R$ 100 (R$ 1.000 no total) tem taxa implícita de 1,96% ao mês, ou 26,27% ao ano. Se o à vista custa o mesmo que o total parcelado, a taxa é zero.

A ideia: comparar o à vista com as parcelas

Parcelar é, na prática, financiar o preço à vista. Quem paga em 10 vezes fica com o dinheiro por mais tempo e o devolve aos poucos. A pergunta é quanto esse prazo custa. Para respondê-la bastam três números: o preço à vista, o valor da parcela e o número de parcelas.

A taxa implícita é a taxa mensal que, aplicada às parcelas, traz todas elas a um valor presente igual ao preço à vista. É o raciocínio dos juros compostos: R$ 100 daqui a um mês valem menos que R$ 100 hoje. Se as 10 parcelas de R$ 100, descontadas a uma certa taxa mensal, somam exatamente R$ 900, essa é a taxa do parcelamento. Não há fórmula fechada para achá-la: o cálculo é feito por aproximações sucessivas, e é isso que a calculadora do Creditoscópio faz no seu navegador.

O exemplo: R$ 900 à vista ou 10 x R$ 100

Um produto fictício custa R$ 900 à vista ou 10 parcelas de R$ 100. A soma das parcelas é R$ 1.000, R$ 100 a mais que o à vista, o que equivale a um desconto de 10,0% sobre o total parcelado para quem paga à vista. A primeira parcela vence um mês depois da compra. A taxa que iguala as 10 parcelas a R$ 900 é de 1,96% ao mês, que compõem 26,27% ao ano.

Conferência: descontadas a 1,96% ao mês, as 10 parcelas de R$ 100 valem R$ 900,00 hoje. A primeira parcela, sozinha, vale R$ 98,07 na data da compra, e cada parcela seguinte vale um pouco menos.

O que muda a taxa: o desconto à vista e a entrada

A taxa depende de quanto o à vista é menor que o total parcelado. Mantendo as 10 parcelas de R$ 100 (total de R$ 1.000), muda apenas o preço à vista:

Caso fictícioPreço à vistaDiferença até o total parceladoTaxa implícita
À vista igual ao total parceladoR$ 1.000R$ 0,000,00% ao mês
À vista com 5,0% de descontoR$ 950R$ 50,000,94% ao mês (11,93% ao ano)
À vista com 10,0% de descontoR$ 900R$ 100,001,96% ao mês (26,27% ao ano)
À vista com 20,0% de descontoR$ 800R$ 200,004,28% ao mês (65,31% ao ano)
Exemplos fictícios de 10 parcelas de R$ 100, com a primeira vencendo um mês após a compra, em juros compostos, sem IOF, tarifas nem seguros. Cálculo do Creditoscópio (taxa a partir da parcela); estimativa, não é o CET de nenhuma oferta.

Dois pontos pesam na conta. O primeiro: um desconto à vista de 10,0% não vira uma taxa de 10%, e sim de 1,96% ao mês, porque o prazo é de 10 meses e o saldo devedor cai a cada parcela. O segundo: a entrada muda o resultado. Com o mesmo desconto de 10,0%, se a primeira parcela de R$ 100 é paga na hora (entrada de R$ 100 mais 9 parcelas de R$ 100), o valor financiado é R$ 800 e a taxa implícita sobe para 2,42% ao mês (33,28% ao ano), porque o prazo efetivo ficou mais curto para a mesma diferença de R$ 100.

E o “sem juros”?

“Sem juros” costuma querer dizer que a soma das parcelas é igual ao preço de tabela, sem acréscimo. Nesse sentido a expressão pode ser literalmente verdadeira: se o preço à vista é R$ 1.000 e o parcelado é 10 x R$ 100, a taxa implícita é zero. A conta só acusa uma taxa quando existe um preço à vista menor, seja por desconto anunciado, seja por uma oferta diferente para quem paga na hora.

Isso não diz se a opção é boa ou ruim para quem compra. O que a conta entrega é o preço do prazo, expresso em taxa, para o leitor comparar com o que sabe do próprio orçamento ou com a taxa de outras dívidas dele.

O que a conta não inclui

  • Premissas. Parcelas iguais, a primeira vencendo um mês depois da compra (ou da entrada), juros compostos, meses inteiros. Datas reais de vencimento mudam um pouco o resultado.
  • Encargos. A conta não inclui IOF, tarifas nem seguros que possam estar dentro da parcela. Por isso o resultado é uma estimativa, e não o Custo Efetivo Total (CET) da oferta. Sobre o CET, veja o que é o CET.
  • Quem recebe o custo. A conta mede só o que o consumidor paga em relação ao preço à vista. Este post não apurou como o custo do prazo é repartido entre loja, cartão ou financeira em cada oferta.

Para converter a taxa mensal em anual e entender por que 1,96% ao mês vira 26,27% ao ano, veja juros compostos: do mês para o ano.

Qual é a taxa do parcelamento que você está olhando? Informe o preço à vista, a entrada (se houver), a parcela e o número de parcelas. A calculadora do Creditoscópio mostra a taxa mensal e anual implícita, no seu navegador, sem enviar nada. O resultado não inclui IOF, tarifas nem seguros e, por isso, não é o CET.

Abrir a calculadora de taxa do parcelamento

Perguntas frequentes

Parcelado sem juros tem juros?

Depende do preço à vista. Se ele é igual à soma das parcelas, a taxa implícita é zero. Se é menor, a diferença paga o prazo e existe uma taxa, que se calcula com o preço à vista, a parcela e o número de parcelas.

Como calcular a taxa do parcelamento?

Procura-se a taxa mensal que faz o valor presente das parcelas igualar o valor financiado (preço à vista menos a entrada). Como não há fórmula fechada, usa-se uma calculadora: no exemplo, R$ 900 à vista ou 10 x R$ 100 resulta em 1,96% ao mês.

A entrada muda a taxa?

Sim. Com o mesmo preço à vista (R$ 900) e o mesmo total (R$ 1.000), pagar R$ 100 de entrada mais 9 parcelas de R$ 100 eleva a taxa de 1,96% para 2,42% ao mês, porque o valor financiado e o prazo ficam menores.

Essa taxa é o CET?

Não. A conta não inclui IOF, tarifas nem seguros que possam estar na parcela; é uma estimativa a partir de três números.

Fontes

  • Creditoscópio, Calculadora de taxa do parcelamento: premissas e método (valor presente das parcelas igual ao valor financiado, juros compostos).
  • Creditoscópio, Metodologia.
  • Cálculos: funções de taxa a partir da parcela, de valor presente e de conversão mensal-anual do Creditoscópio (premissas: juros compostos, meses inteiros, sem IOF, tarifas, seguro nem atraso), validadas pelos vetores de teste do projeto. Todos os valores do post são exemplos fictícios, sem loja, marca nem dado do Banco Central.