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Inadimplência no Brasil em 3 tipos de crédito

Redação Creditoscópioatualizado

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Inadimplência no Brasil em 3 tipos de crédito

Em agosto de 2026, 10,95% da carteira de crédito pessoal não consignado tinha pelo menos uma parcela atrasada há mais de 90 dias, segundo a série de inadimplência do Banco Central (SGS 21114). No cheque especial, eram 15,34% (SGS 21113), e no crédito para aquisição de veículos, 6,57% (SGS 21121). São percentuais da carteira de crédito do sistema financeiro, e não da quantidade de pessoas: as séries não dizem quantos brasileiros estão com conta atrasada. Agosto de 2026 era o mês mais recente publicado em 22/10/2026, quando este texto foi escrito.

Talvez você tenha chegado aqui porque uma parcela atrasou, ou porque leu que “a inadimplência subiu” e quis entender o tamanho disso. A série ajuda a enxergar o quadro geral, mas tem limites claros: ela não fala de nenhuma pessoa e de nenhum banco. Veja o que ela mede, os números mês a mês e o que dá para tirar deles.

O que a série mede, nas palavras do Banco Central

O Banco Central publica séries de inadimplência por modalidade no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS), uma vez por mês. As três deste texto, e a do consignado do INSS, que aparece mais abaixo, têm estes títulos:

  • SGS 21114: “Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres – Pessoas físicas – Crédito pessoal não consignado”.
  • SGS 21113: “Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres – Pessoas físicas – Cheque especial”.
  • SGS 21121: “Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres – Pessoas físicas – Aquisição de veículos”.
  • SGS 21118: “Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres – Pessoas físicas – Crédito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS”.

O conceito é o mesmo nas quatro, e está no portal de dados abertos do Banco Central: “Percentual da carteira de crédito livre do Sistema Financeiro Nacional com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias. Não inclui operações referenciadas em taxas regulamentadas, operações vinculadas a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou quaisquer outras lastreadas em recursos compulsórios ou governamentais.”

Traduzindo em três pontos. A carteira é o conjunto das operações em aberto daquela modalidade no sistema financeiro inteiro, e não a de um banco. O atraso que conta é o superior a 90 dias: uma parcela vencida há uma semana ou há dois meses não entra na parte em atraso. E cada série olha só para a sua carteira: os 10,95% são do crédito pessoal não consignado, e os 15,34%, do cheque especial.

O que a série não mede

  • Quantas pessoas atrasaram. A série é um percentual da carteira. Os 10,95% não querem dizer que uma em cada dez pessoas com empréstimo pessoal está em atraso.
  • A situação de um banco. É um número do sistema financeiro inteiro. Não diz nada sobre a carteira de uma instituição específica e não serve para comparar instituições.
  • Os juros. Inadimplência não é taxa de juros. A unidade é % da carteira, e não % ao mês.
  • O motivo. A série mostra o percentual de cada mês. Ela não diz por que ele subiu ou caiu, e este texto não atribui a mudança a nenhum fator.
  • A sua dívida. É um agregado nacional. Não é referência para a situação de ninguém em particular.

Uma ressalva sobre os nomes: o Creditoscópio mostra cada série na página da modalidade correspondente, mas usa o título que o Banco Central dá à série. A tabela de taxas por instituição vem de outra base do Banco Central, e não afirmamos que as duas cobrem exatamente as mesmas operações. Por isso este texto fala em “aquisição de veículos”, o nome da série.

De agosto de 2025 a agosto de 2026, mês a mês

MêsCrédito pessoal não consignado (SGS 21114)Cheque especial (SGS 21113)Aquisição de veículos (SGS 21121)Consignado INSS (SGS 21118)
ago/20259,13%14,97%5,50%1,80%
set/20258,78%14,44%5,52%1,78%
out/20258,92%15,79%5,52%1,79%
nov/20258,91%15,82%5,50%1,89%
dez/20259,16%17,33%5,69%1,91%
jan/20269,49%16,22%5,69%1,95%
fev/202610,11%16,09%5,99%2,07%
mar/20269,73%16,12%6,11%1,90%
abr/202610,09%15,55%6,24%1,98%
mai/202610,44%15,92%6,47%1,88%
jun/20269,86%16,26%6,57%1,95%
jul/202610,65%16,31%6,63%2,14%
ago/202610,95%15,34%6,57%2,22%
Banco Central do Brasil, Departamento de Estatísticas, SGS: séries 21114, 21113, 21121 e 21118, “Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres – Pessoas físicas”. Percentual da carteira com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias, de agosto de 2025 a agosto de 2026, um ponto por mês. Valores lidos em 22/10/2026. Cada coluna é um percentual da sua própria carteira; não são taxas de juros nem dados de instituições.

No crédito pessoal, os 10,95% de agosto de 2026 ficaram 0,30 ponto percentual acima de julho (10,65%) e 1,82 ponto acima de agosto de 2025 (9,13%). Ponto percentual é a diferença simples entre dois percentuais: de 9,13% para 10,95%, são 1,82 ponto.

No cheque especial, agosto de 2026 (15,34%) veio 0,97 ponto abaixo de julho (16,31%), mas 0,37 ponto acima de um ano antes (14,97%). Na aquisição de veículos, foram 6,57% em agosto, 0,06 ponto abaixo de julho (6,63%) e 1,07 ponto acima de agosto de 2025 (5,50%).

Um jeito simples de ver a direção, sem se prender a um mês só, é comparar cada mês com o mesmo mês do ano anterior. De setembro de 2025 a agosto de 2026, as três séries ficaram acima do ano anterior em todos os 12 meses. O dado não diz por quê.

Em 36 meses: de setembro de 2023 a agosto de 2026

As páginas do Creditoscópio mostram 36 pontos mensais de cada série. O resumo desse intervalo:

SériePrimeiro ponto (set/2023)Menor valorMaior valorÚltimo ponto (ago/2026)
Crédito pessoal não consignado (SGS 21114)7,29%6,37% (nov/2024)10,95% (ago/2026)10,95%
Cheque especial (SGS 21113)11,93%11,31% (nov/2024)17,33% (dez/2025)15,34%
Aquisição de veículos (SGS 21121)5,40%4,27% (dez/2024)6,63% (jul/2026)6,57%
Consignado INSS (SGS 21118)1,92%1,61% (dez/2024)2,22% (ago/2026)2,22%
Banco Central do Brasil, Departamento de Estatísticas, SGS: séries 21114, 21113, 21121 e 21118. Percentual da carteira com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias, nos 36 pontos mensais de setembro de 2023 a agosto de 2026. Menor e maior valor dentro desse intervalo, não de toda a série do Banco Central. Valores lidos em 22/10/2026.

No crédito pessoal, agosto de 2026 é o maior ponto dos 36: 3,66 pontos percentuais acima do primeiro (7,29%, em setembro de 2023) e 4,58 pontos acima do menor (6,37%, em novembro de 2024).

No cheque especial, o maior ponto foi o de dezembro de 2025 (17,33%), e agosto de 2026 ficou 1,99 ponto abaixo dele. Na aquisição de veículos, o maior foi o de julho de 2026 (6,63%), e agosto ficou 0,06 ponto abaixo. Nos dois casos, o último ponto está acima do primeiro e do menor valor do intervalo.

Em todos os 36 meses, a ordem foi a mesma: o percentual do cheque especial acima do crédito pessoal, o do crédito pessoal acima da aquisição de veículos, e o de veículos acima do consignado do INSS. O dado também não diz por quê. “Maior dos 36” vale para o intervalo que o site exibe; a série do Banco Central é mais longa, e este texto não a compara com períodos anteriores.

E o consignado do INSS?

Entrou na tabela porque o Creditoscópio também mostra a série de inadimplência do consignado INSS, na página dessa modalidade. As do cartão rotativo e do cartão parcelado ficam nas páginas do cartão e estão no texto sobre o cartão, linkado mais abaixo. Em agosto de 2026, ela registrou 2,22%, o maior ponto dos 36 meses. Vale o mesmo conceito das outras: é a carteira de crédito livre, com as mesmas exclusões que o Banco Central lista, e o título da série fala em “aposentados e pensionistas do INSS”.

O site não mostra série de inadimplência para o consignado público nem para o privado, e por isso este texto não traz número para eles.

Como ler a série sem tirar dela o que ela não diz

Ela oscila de um mês para o outro. O cheque especial é o caso mais visível: de outubro para novembro de 2023, passou de 12,80% para 15,60%, uma alta de 2,80 pontos num mês só. No crédito pessoal, a maior variação mensal do intervalo foi de 0,79 ponto (de 9,86% em junho para 10,65% em julho de 2026). Um mês isolado diz pouco.

É uma divisão, e uma divisão muda pelos dois lados. O percentual é a parte da carteira com atraso superior a 90 dias dividida pela carteira inteira da modalidade. Ele pode mudar porque a parte em atraso mudou, porque a carteira mudou, ou pelas duas coisas. A série publica só o resultado da conta, então não dá para saber de qual lado veio a mudança.

Os percentuais não se somam. Cada um tem a sua carteira como base. Somar 10,95% e 15,34%, ou tirar a média, não dá a inadimplência “das pessoas físicas”. Para o conjunto, o Banco Central tem outra série, “Inadimplência da carteira de crédito – Pessoas físicas – Total” (SGS 21084), que registrou 6,03% em agosto de 2026. O conceito dela é outro, porque “inclui operações contratadas no segmento de crédito livre e no segmento de crédito direcionado”. Ela fica no painel de contexto da página Crédito, e não se compara diretamente com as séries por modalidade.

O último mês chega com atraso, e a fonte pode rever números. Em 22/10/2026, o mês mais recente era agosto de 2026. Pela política de revisão do Departamento de Estatísticas do Banco Central, os dados de crédito dos últimos quatro meses são revisados a cada mês. Quando um valor muda, a página da modalidade passa a mostrar o novo.

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Se a sua parcela atrasou

Atrasar uma conta pesa, e um número nacional não muda isso. Ele também não diz nada sobre o seu contrato. O que costuma ajudar é pôr a dívida no papel: quanto ela soma, a que taxa e em quanto tempo dá para quitar.

Se há mais de uma dívida, o texto Qual dívida pagar primeiro: como fazer a conta mostra como comparar o custo de cada uma. E a calculadora de tempo para quitar faz a conta com a sua taxa e a parcela que cabe no seu orçamento.

Onde a série aparece no Creditoscópio

Cada série fica na página da sua modalidade, num bloco próprio, com o título e o conceito do Banco Central e um gráfico separado: crédito pessoal, cheque especial, financiamento de veículos e consignado INSS. A do cartão está explicada em Inadimplência no cartão de crédito: o que a série do BC diz.

A inadimplência fica fora da tabela de taxas por instituição de propósito: são bases e medidas diferentes, e ela não entra em nenhuma conta com as taxas. As taxas dessa tabela são a referência média publicada pelo Banco Central para as operações de cada instituição no período, e não uma oferta individual. Para entender por que elas variam tanto no crédito pessoal, veja Crédito pessoal: taxas de 1,20% a 17,82% ao mês no BC.

Como está a série no mês mais recente publicado? A página do crédito pessoal mostra a inadimplência da carteira segundo o Banco Central, com o gráfico de 36 meses, e, em bloco separado, as taxas publicadas por instituição.

Ver a página do crédito pessoal

Perguntas frequentes

Qual é a inadimplência do crédito pessoal?

Em agosto de 2026, o Banco Central registrou 10,95% da carteira de crédito pessoal não consignado de pessoas físicas com pelo menos uma parcela em atraso há mais de 90 dias (SGS 21114). Foi o maior ponto dos 36 meses de setembro de 2023 a agosto de 2026.

Qual é a inadimplência do cheque especial?

Em agosto de 2026, 15,34% da carteira de cheque especial de pessoas físicas, pela série SGS 21113 do Banco Central. Em julho tinham sido 16,31%, e em agosto de 2025, 14,97%.

Qual é a inadimplência do financiamento de veículos?

A série do Banco Central se chama “Aquisição de veículos” (SGS 21121) e registrou 6,57% da carteira em agosto de 2026, contra 5,50% em agosto de 2025.

10,95% quer dizer que uma em cada dez pessoas atrasou o empréstimo?

Não. O percentual é da carteira de crédito pessoal não consignado, e não das pessoas. A série não conta pessoas nem contratos.

A inadimplência está subindo?

Comparando cada mês com o mesmo mês do ano anterior, as três séries ficaram acima em todos os 12 meses de setembro de 2025 a agosto de 2026. De julho para agosto de 2026, o crédito pessoal subiu, e o cheque especial e a aquisição de veículos caíram. O dado não diz por que mudou.

Dá para saber a inadimplência de um banco específico?

Não por essas séries. Elas são do sistema financeiro inteiro e não trazem dado por instituição. O Creditoscópio não as usa para comparar instituições.

Inadimplência alta explica juros altos?

O dado não permite afirmar. A série de inadimplência e as taxas de juros são publicações diferentes do Banco Central, com definições diferentes, e nenhuma delas informa a relação entre uma coisa e outra.

Fontes