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Taxa média de juros do Banco Central: o que ela mede

Redação Creditoscópioatualizado

Taxa média de juros do Banco Central: o que ela mede

A taxa média de juros que o Banco Central publica para uma modalidade e a mediana das instituições mostrada no Creditoscópio são números diferentes porque medem coisas diferentes. No cartão de crédito rotativo, a série mensal do Banco Central (SGS 25477) registrou 15,18% ao mês em agosto de 2026; a mediana das instituições com dados disponíveis, na primeira janela de 5 dias úteis do mesmo mês (iniciada em 03/08/2026), foi de 16,13% ao mês, entre 64 instituições. A primeira é uma média das novas operações do mês, ponderada pelo valor concedido. A segunda é o valor do meio entre as taxas médias das instituições, cada uma com o mesmo peso. Nenhuma das duas é a taxa de um contrato.

Os dois números, pela definição de cada fonte

O Banco Central publica as duas bases. Elas têm nomes parecidos e saem do mesmo órgão, mas o texto que define cada uma é outro.

A série mensal do SGS. O Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) traz um número por modalidade e por mês. O conceito publicado pelo Banco Central é o mesmo nas cinco séries usadas aqui: “Taxa média de juros das novas operações de crédito livre contratadas no período de referência. Taxa ponderada pelo valor das concessões. Não inclui operações referenciadas em taxas regulamentadas, operações vinculadas a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou quaisquer outras lastreadas em recursos compulsórios ou governamentais.” É a esse número que o Creditoscópio chama de taxa média do mercado publicada pelo Banco Central, sempre com o código da série e o mês de referência.

A taxa por instituição. Na base “Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira – Médias dos últimos 5 dias”, o Banco Central publica uma taxa para cada instituição em cada modalidade. Segundo a descrição do conjunto de dados, essas taxas “representam médias aritméticas das taxas de juros pactuadas nas operações realizadas nos cinco dias úteis referidos em cada publicação, ponderadas pelos respectivos valores contratados”. Ou seja: a ponderação pelo valor acontece dentro de cada instituição. A fonte não publica um número único que junte todas.

A mediana das instituições. Esse número não é do Banco Central: é calculado pelo Creditoscópio sobre a base por instituição. Ordenam-se as taxas médias das instituições com dados disponíveis no período e toma-se a do meio. Cada instituição conta uma vez, seja qual for o volume que contratou. Por isso o site nunca a chama de taxa média do mercado.

O que muda de uma medida para a outra

CaracterísticaSérie mensal do Banco Central (SGS)Mediana das instituições com dados disponíveis
Quem calculaBanco CentralCreditoscópio, sobre as taxas por instituição publicadas pelo Banco Central
Tipo de medidaMédia ponderada pelo valor das concessõesMediana: o valor do meio, com peso igual para cada instituição
PeríodoMês de referênciaJanela de 5 dias úteis
Unidade de contagemAs novas operações de crédito livreAs instituições com taxa publicada na janela (o número n)
Nome da modalidade no rotativo“Cartão de crédito rotativo”“Cartão de crédito – rotativo total – Prefixado”
EncargosO conceito da série não menciona encargosA descrição da base fala em juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais
Fontes: Banco Central do Brasil, conceito das séries 25477, 25478, 25464, 25463 e 25471 no Portal de Dados Abertos e descrição do conjunto “Taxas de juros de operações de crédito por instituição financeira – Médias dos últimos 5 dias”, lidos em 08/10/2026; metodologia do Creditoscópio.

Duas linhas da tabela pedem cuidado. Na dos nomes, o Banco Central não informa que “Cartão de crédito rotativo” (série do SGS) e “Cartão de crédito – rotativo total – Prefixado” (base por instituição) cobrem as mesmas operações; o Creditoscópio usa o título que a fonte dá a cada uma e não afirma equivalência. Na dos encargos, a documentação da base por instituição descreve a taxa como o custo efetivo médio das operações, com os juros acrescidos de “encargos fiscais e operacionais”, sem detalhar quais entram. Por isso ela não é a taxa de um contrato, não é o CET e não deve ser comparada a ele. O conceito da série do SGS não trata do assunto, e este texto não afirma que os encargos entram nem que ficam de fora.

Os dois números lado a lado, em agosto de 2026

Agosto de 2026 é o mês mais recente da série do SGS nos dados do Creditoscópio lidos em 08/10/2026. Para pôr a mediana no mesmo mês, a tabela usa a primeira janela de 5 dias úteis de agosto, iniciada em 03/08/2026. Mesmo assim os períodos não coincidem: a série cobre o mês, a mediana cobre uma janela dele.

Modalidade (título da série do SGS)Série mensal do Banco Central, agosto de 2026 (média ponderada pelo valor das concessões)Mediana das instituições com dados disponíveis, janela iniciada em 03/08/2026 (peso igual por instituição)Mediana menos série
Cartão de crédito rotativo (SGS 25477)15,18% ao mês16,13% ao mês (n = 64)+0,95 p.p.
Cartão de crédito parcelado (SGS 25478)9,34% ao mês8,45% ao mês (n = 59)−0,89 p.p.
Crédito pessoal não consignado (SGS 25464)6,39% ao mês5,53% ao mês (n = 77)−0,86 p.p.
Cheque especial (SGS 25463)7,43% ao mês7,57% ao mês (n = 34)+0,14 p.p.
Aquisição de veículos (SGS 25471)1,97% ao mês1,81% ao mês (n = 38)−0,16 p.p.
Segunda coluna: Banco Central do Brasil, Departamento de Estatísticas, SGS, “Taxa média mensal de juros das operações de crédito com recursos livres – Pessoas físicas”, mês de agosto de 2026. Terceira coluna: mediana calculada pelo Creditoscópio sobre as taxas por instituição do Banco Central (médias dos últimos 5 dias), primeira janela de 5 dias úteis de agosto de 2026; n é o número de instituições. São medidas com definições diferentes; a última coluna é só a subtração, em pontos percentuais.

Em duas das cinco modalidades a mediana ficou acima da série; em três, abaixo. A diferença não tem um sentido fixo, e o dado não diz por que ela foi maior numa modalidade do que em outra. O que as definições permitem dizer é que os números não tinham por que coincidir.

As medianas da tabela são as de agosto, não as mais recentes. No período de 17/09/2026 a 23/09/2026, a mediana das instituições com dados disponíveis foi de 15,98% ao mês no rotativo (n = 62), 8,54% no cartão de crédito parcelado (n = 57), 6,39% no crédito pessoal (n = 81), 8,12% no cheque especial (n = 27) e 1,81% no financiamento de veículos (n = 41). No crédito pessoal, esse 6,39% é igual ao valor da série do SGS de agosto. É coincidência de número entre duas medidas e dois períodos diferentes; não quer dizer que as duas passaram a medir a mesma coisa.

Quer ver os dois números de cada modalidade? A página de modalidades leva à distribuição entre as instituições e, em bloco separado, à série mensal do Banco Central.

Ver as modalidades de crédito

Média ponderada e mediana: um exemplo com números inventados

Para ver como a forma de calcular muda o resultado, imagine três instituições fictícias, com a taxa média de cada uma e o valor que cada uma contratou no período.

Cenário (fictício)Taxa média e valor contratado de cada instituiçãoMédia ponderada pelo valorMediana com peso igual
1: o maior valor está na menor taxa2,00% (R$ 80 milhões); 6,00% (R$ 15 milhões); 10,00% (R$ 5 milhões)3,00% ao mês6,00% ao mês
2: o maior valor está na maior taxa2,00% (R$ 5 milhões); 6,00% (R$ 15 milhões); 10,00% (R$ 80 milhões)9,00% ao mês6,00% ao mês
Exemplo com instituições, taxas e valores inventados, só para mostrar a conta. Não representa nenhuma modalidade nem instituição real.

As três taxas são as mesmas nos dois cenários, e a mediana não sai de 6,00%. A média ponderada vai de 3,00% a 9,00% só porque o valor contratado mudou de lugar. Uma medida responde “qual é a taxa do meio entre as instituições”; a outra, “a que taxa saiu, em média, cada real concedido”.

O exemplo mostra o mecanismo, não a explicação dos números reais. A base por instituição do Banco Central não traz o valor contratado por cada uma, então não há como refazer a ponderação entre instituições nem dizer quanto da diferença de agosto vem do peso, do período ou das operações que cada base cobre. É também por isso que o Creditoscópio usa a mediana e não calcula uma média própria.

A diferença em 36 meses

O mesmo confronto pode ser repetido mês a mês. A tabela abaixo usa os 36 meses de setembro de 2023 a agosto de 2026: de um lado, a série mensal do SGS; do outro, a mediana das instituições na primeira janela de 5 dias úteis de cada mês (um ponto por mês, de janelas que não se sobrepõem).

Modalidade (série do SGS)Meses com a mediana acima da sérieMeses com a mediana abaixo da sérieMenor e maior diferença (mediana menos série)Instituições na mediana (n)
Cartão de crédito rotativo (SGS 25477)324−0,14 a +1,25 p.p.51 a 66
Cartão de crédito parcelado (SGS 25478)630−0,89 a +0,37 p.p.50 a 63
Crédito pessoal não consignado (SGS 25464)036−1,92 a −0,14 p.p.55 a 90
Cheque especial (SGS 25463)342−0,24 a +0,84 p.p.25 a 34
Aquisição de veículos (SGS 25471)036−0,30 a −0,11 p.p.36 a 46
Setembro de 2023 a agosto de 2026, 36 meses. Série: Banco Central do Brasil, SGS, taxa média mensal de juros das operações de crédito com recursos livres, pessoas físicas (média ponderada pelo valor das concessões). Mediana: calculada pelo Creditoscópio sobre as taxas por instituição do Banco Central, primeira janela de 5 dias úteis de cada mês (peso igual por instituição). Diferenças em pontos percentuais ao mês.

No crédito pessoal e na aquisição de veículos, a mediana ficou abaixo da série nos 36 meses. No rotativo e no cheque especial, ficou acima na maior parte deles; no cartão de crédito parcelado, abaixo na maior parte. Em nenhuma modalidade a distância se manteve igual. O número de instituições que entram na mediana também mudou de mês para mês, como mostra a última coluna, e isso é parte do que a mediana é: um retrato das instituições com dado naquela janela.

Essa tabela descreve o padrão dos 36 meses. Ela não mede qual das duas medidas está “certa” e não explica a causa da diferença: o dado não diz por quê.

Como o Creditoscópio usa cada número

  • A mediana é a referência das páginas de modalidade e de instituição. É com ela, e com a distribuição completa, que o site descreve a posição de uma instituição entre as que têm dado no período.
  • A série do SGS aparece na página da modalidade em bloco separado, com o código, o título e o conceito do Banco Central, e em gráfico próprio. Ela não entra no cálculo da posição de nenhuma instituição.
  • Os dois nunca são somados, misturados nem postos no mesmo gráfico. Quando aparecem juntos, como neste texto, cada um vem com a sua legenda; a subtração da coluna “Mediana menos série” é feita só neste texto.
  • Nem toda modalidade tem a série. Das 11 modalidades do site, cinco trazem a série do SGS (as da tabela); nas outras seis o site não mostra série de taxa do SGS.

As regras completas estão na metodologia, nas seções sobre a mediana e sobre a referência oficial do mercado. Para um exemplo de página com os dois blocos, veja a do cartão rotativo.

O que nenhum dos dois números é

Nem a série do SGS nem a mediana são a taxa que uma instituição vai propor a você. A taxa do Banco Central não é oferta individual: a própria descrição da base por instituição diz que, em uma mesma modalidade, as taxas diferem entre clientes de uma mesma instituição e variam com fatores como as garantias, o valor dado de entrada, o histórico e a situação cadastral do cliente e o prazo da operação. A taxa que vale para o seu caso é a do contrato ou da proposta.

Também não servem para dizer que uma instituição está “acima do mercado”. A série do SGS é um agregado, e o Creditoscópio não a usa para posicionar instituições. Para situar a taxa de uma proposta entre as referências publicadas, o caminho é o da distribuição da modalidade, descrito em Como comparar a taxa do seu banco com os dados do BC. As medianas de setembro de 2026, com mínimo, máximo e número de instituições, estão no Boletim Creditoscópio Dados nº 1.

Como cada número do site é calculado? A metodologia explica a mediana, a posição entre as instituições e o uso da série oficial do Banco Central.

Ler a metodologia

Perguntas frequentes

Qual é a taxa média de juros do cartão de crédito segundo o Banco Central?

Em agosto de 2026, a série mensal do Banco Central registrou 15,18% ao mês para “Cartão de crédito rotativo” (SGS 25477) e 9,34% ao mês para “Cartão de crédito parcelado” (SGS 25478). São médias das novas operações de crédito livre do mês, ponderadas pelo valor das concessões. O Banco Central não define, na documentação consultada, o que a modalidade “cartão de crédito parcelado” inclui; o número não deve ser lido como a taxa do parcelamento da fatura.

A mediana do Creditoscópio é a taxa média do mercado?

Não. A mediana é o valor do meio entre as taxas médias das instituições com dados disponíveis no período, com peso igual para cada uma. A taxa média do mercado publicada pelo Banco Central é a série do SGS, que pondera pelo valor das concessões. No rotativo, em agosto de 2026, a série marcou 15,18% ao mês e a mediana da janela iniciada em 03/08/2026, 16,13% ao mês (n = 64).

Por que a série vai até agosto e a mediana até setembro?

Este texto registra as datas, não a causa: o calendário de publicação de cada base não foi apurado. A série do SGS tem um ponto por mês; a base por instituição sai em janelas de 5 dias úteis. Nos dados do Creditoscópio lidos em 08/10/2026, o ponto mais recente da série era o de agosto de 2026 e a janela mais recente era a de 17/09/2026 a 23/09/2026. Um número de um mês nunca deve ser posto ao lado de um número de outro sem a data dos dois.

Qual dos dois números devo olhar?

Depende da pergunta. A série do SGS responde a que taxa saíram, em média, as novas operações da modalidade no mês. A mediana, com a distribuição, mostra como as taxas médias se espalham entre as instituições em uma janela. Nenhuma das duas substitui a taxa e o CET da sua proposta: faça a conta com a sua taxa.

Dá para calcular a taxa média do mercado a partir das taxas por instituição?

Não com essa base. Ela traz a taxa média de cada instituição, já ponderada pelo valor das operações dela, mas não traz o valor contratado por instituição. Sem esse peso não se refaz uma média ponderada entre instituições, e uma média simples seria uma terceira medida, diferente das outras duas. O Creditoscópio não publica nenhuma delas.

Fontes